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Mota-Engil África perde 580 milhões de euros num mês

Este semestre revela-se horribilis para a família Mota, que reduziu a sua "fortuna" teórica em 450 milhões de euros

Lucília Monteiro

Com apenas 7% de ações dispersas, a Mota Engil África perdeu metade do seu valor desde que se estreou na Bolsa de Amesterdão.

Quase um mês após a sua estreia na Bolsa de Amesterdão, o desempenho das ações da Mota Engil África revela-se dececionante. O valor em Bolsa reduziu-se para metade, perdendo 580 milhões de euros face à capitalização inicial de 1,15 mil milhões.

A reduzida liquidez do título, decorrente do figurino da operação, é um fator aumenta a volatilidade e condiciona a cotação. São sete milhões de ações disponíveis no mercado.

Quanto a transações, o recorde verificou-se na passada terça-feira com 146 mil ações movimentadas. Quando a cotação cai a pique, a liquidez é maior. Nas últimas cinco sessões, a perda registada foi de 33%. Esta quarta-feira a desvalorização foi suave (0,87%). Nas últimas cinco sessões, transacionaram-se uma média diária de 75 mil.

Dos 100 milhões de ações admitidas, 82% pertencem à Mota-Engil SGPS. A parte restante (18%) foi distribuída como dividendo em espécie aos acionistas. Como à família Mota coube 11%, a liquidez reduz-se para menos de 7%.

 

Semestre horribilis para a família Mota

A perda acumulada é mesmo superior à da casa-mãe portuguesa, que sofreu os efeitos de uma "tempestade perfeita" e registou no último mês uma severa correção. A Mota-Engil SGPS, descontado o caso invulgar da PT, é a cotada do atual PSI 20 que mais perde (45%). Mas, face ao seu máximo de 2014, a empresa já desvalorizou 60% do valor.

Este semestre revela-se horribilis para a família Mota, que reduziu a sua "fortuna" teórica em 450 milhões de euros. A sucursal africana apresenta uma capitalização superior à casa-mãe, mas o desvio já foi mais acentuado (570 milhões face a 497 milhões de euros).

Tomando como referência a cotação de quarta-feira, a participação da Mota-Engil SGPS na sucursal africana vale 475 milhões de euros, um valor inferior à capitalização da holding (497 milhões).

A Mota Engil África estreou-se em Amesterdão a 24 de novembro, com uma cotação técnica de 11,5 euros. A oferta pública inicial, incluindo uma venda de ações de que resultaria um encaixe para a Mota Engil SGPS de 300 milhões, esteve anunciado para julho, mas a turbulência dos mercados por causa do colapso do Grupo Espírito Santo levou a empresa  a adiar a operação.

O negócio em África do grupo representa metade da faturação do grupo e três quartos do resultado operacional.