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Morais Pires: "Nunca tive qualquer interação com o governador do BdP"

José Caria

Antigo responsável financeiro do BES defendeu que o colapso do banco deveu-se a uma crise de liquidez e não de capital.

O ex-responsável financeiro do BES, Amilcar Morais Pires, garantiu esta quinta-feira na comissão parlamentar de inquérito que nunca teve qualquer conversa privada com o governador do Banco de Portugal, embora tivesse alertado para a situação do banco. 

"Nunca tive qualquer interação com o governador. Não tinha essa incumbência. Fiz sempre fé no convite que o doutor Ricardo Salgado me fez. As reuniões que tive eram públicas e com outros administradores", afirmou Morais Pires na comissão de inquérito parlamentar ao caso BES.

O responsável sublinhou que a incerteza sobre a liderança do BES se traduziu de imediato no aumento da volatilidade das ações do banco e que face, ao acentuar do stress, começaram a ser estudados mecanismos de recapitalização por investidores privados, referindo o plano da Blackstone para salvar o banco.

Defende, porém, que o colapso do BES se deveu a uma crise de liquidez e não de capital. "Se houver uma fuga de depósitos - nem que o capital seja de 15% -, o banco não existe", sustentou.

Para Morais Pires, a fuga de depósitos e o corte das linhas interbancárias é que agravaram a crise no BES. 

Assegurou ainda que manifestou preocupação em relação à situação do BES na reunião do conselho de administração do banco de 11 de julho - que ficou registada em ata enviada ao supervisor - lamentando que a "tempestade perfeita" que antecipou se tivesse vindo a confirmar. "O meu apelo foi ignorado e perdeu-se, na minha opinião, a hipótese no fim de semana de 12 e 13 de julho. Os meus receios expressos na reunião infelizmente concretizaram-se."

Sobre a sua saída do conselho de administração do BES, explicou que no dia 23 de julho chegou a acordo com Vítor Bento. "A partir daí, rescindi o meu contrato com o BES."