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Moody's corta notação da Madeira

A agência de notação acaba de cortar o rating da Região Autónoma de B1 para B3 - níveis abrangidos pela classificação de "lixo".

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

A agência Moody's acaba de cortar a notação da dívida de longo prazo da Madeira de B1 para B3.

Estes níveis são já abrangidos pela classificação de "lixo", que para a Moody's começa na nota de Ba1.

As notas de B1 e B3 apontam para uma situação ainda mais gravosa, de dívida muito especulativa, com claro risco de default técnico.

A descida para B3 coloca a Região Autónoma da Madeira - considerada pelo Financial Times como uma "rogue island" - na fronteira da classificação de default iminente, que começa com a nota de Caa1, quando esta é atribuída às dívidas soberanas.

Recorde-se que a Moody's a 5 de julho baixou a notação da República Portuguesa de Baa1 para Ba2, que já é nível de "lixo". Essa notação está 4 níveis acima do rating agora atribuído à Madeira.

Irrealismo do ajustamento levará a novo corte

A decisão da Moody's vem na sequência do que já é conhecido nos blogues financeiros internacionais como "Madeira Gate".

A agência de notação frisa que continua a analisar a situação para possível corte futuro. Ora, basta o corte de mais um nível para a dívida de longo prazo da ilha cair no primeiro domínio de default, a nota Caa1.

Um futuro corte poderá ocorrer se a agência considerar "irrealista" o plano de ajustamento em estudo com o Governo da República.

Dívida vale 5 vezes o rendimento anual da Madeira

As razões, aludidas pela Moody's, prendem-se à "deficiente governação e gestão da região, tal como à fraca execução do orçamento", postas a nu pela revelação oficial das "graves irregularidades", que somam, segundo a agência, 195% do rendimento anual da região.

A "absorção" destas responsabilidades deverá levar "vários anos", sublinha a agência no seu comunicado emitido a partir de Madrid já na madrugada de 23 de setembro.

Avaliando a actual situação da dívida madeirense, a Moody's prevê que a dívida líquida direta e indireta deverá, no final de 2011, representar 5 vezes o rendimento anual da região. Ou seja, um montante superior a €4,5 mil milhões. O presidente do Governo Regional da Madeira admitiu, hoje, em entrevista à RTP-Madeira, que essa dívida poderá rondar os €5 mil milhões. "O que representa um aumento substancial em relação ao nível já elevado de cerca de 380% do rendimento anual da região atingido no final de 2009", diz o comunicado da agência.