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Moody's corta rating de Portugal para "lixo"

A agência Moody's cortou o rating de Portugal em quatro níveis, de Baa1 para Ba2, considerado "lixo" e com perspetivas de revisão futura negativa.

O risco crescente de Portugal poder voltar a precisar de um segundo pacote de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar aos mercados financeiros, foi um dos principais motivos que levou a agência Moody's a cortar o rating de Portugal para um nível considerado "lixo".

Mas aquela agência de notação financeira explica ainda que existe uma possibilidade crescente de a participação dos investidores privados num segundo plano de restate a Portugal ser imposta como pré-condição, à semelhança do que está a acontecer à Grécia.

Por outro lado, é ainda apontado o fato de Portugal poder não conseguir cumprir na totalidade o conjunto de medidas de austeridade acordadas com a troika, no âmbito do plano de resgate de €78 mil milhões.

Essa possibilidade de incumprimento prende-se, de acordo com a agência, com os "desafios formidáveis que o país está a enfrentar ao nível da redução das despesas, cumprimento das obrigações fiscais, crescimento da economia e apoio ao sistema financeiro".

De salientar, que as duas agências de notação financeira, a Standar & Poor's e a Fitch, mantêm o rating de Portugal em BBB-, apenas um nível acima do limiar de "grau de investimento".

Entretanto, o Ministério das Finanças considera que a agência Moody´s "ignorou" o anunciado corte do subsídio de Natal e "não terá tido em devida conta" o "amplo consenso político que suporta a execução das medidas acordadas com a troika".

"O downgrade ora anunciado revela o ambiente adverso da crise da dívida soberana e as vulnerabilidades da economia portuguesa neste contexto", indicou em comunicado o Ministério das Finanças, acrescentando que também "confirma que a apresentação de um programa robusto e sistémico de ajustamento macroeconómico constitui a única abordagem possível para inverter o rumo e recuperar credibilidade".

Por outro lado, considerou o Ministério das Finanças, "o downgrade não terá tido em devida conta o amplo consenso político que suporta a execução das medidas acordadas com a troika" e "ignora os efeitos da sobretaxa extraordinária em sede de IRS anunciada pelo Governo durante o debate do programa de Governo no final da passada semana".