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Metas orçamentais são possíveis? "É legítimo duvidar", defende Teixeira dos Santos

Ministro das Finanças do Governo de José Sócrates sublinha que as medidas de austeridade deverão manter-se mesmo depois de maio.

Teixeira dos Santos parece concordar com o Presidente da República. Esta manhã, afirmou em Lisboa que "é legítimo duvidar" dos níveis de excedente orçamental que é obrigatório conseguir para assegurar o cumprimento das metas impostas pelo Tratado Orçamental. Ou seja, para reduzir a dívida pública a 60% do PIB daqui a vinte anos.



Que perspetivas temos na política orçamental neste período pós-troika?, questionou Teixeira dos Santos. "Dá a ideia de que toda a condicionalidade a que temos estado sujeitos se vai esfumar a 17 de maio, como se o 1 de dezembro de 1640 se passasse a celebrar a 19 de maio de 2014...", brincou Teixeira dos Santos, durante a sua intervenção, na manhã de hoje, no Fórum das Políticas Públicas, que decorre no ISCTE.

 

"Não me parece que haja espaço para mudanças muito significativas, nem que haja espaço para mudar muitas das políticas já adotadas", prosseguiu. Ou seja, as medidas de austeridade deverão manter-se.

 

O peso da dívida pública em Portugal situar-se-ia acima dos 129% em 2013, citou teixeira dos Santos. "O cenário de redução da dívida nos próximos anos diz-nos que com uma taxa de juro de 4% e um crescimento nominal de 4% [do PIB], precisaremos de um excedente primário de 2,5 a 3%", contabilizou. "Sem um resultado desta magnitude não haverá sustentabilidade da dívida pública", o que "preocupará os mercados", retirando os sinais de que "esta batalha será vencida". Ora são estes excedentes que "é legítimo duvidar" se serão cumpridos.

 

Ter saldos primários positivos não resulta sequer da troika mas da pressão dos mercados, insiste Teixeira dos Santos, reforçando ser "legítimo duvidar se de facto vamos conseguir atingir resultados desta natureza."



Estas declarações foram feitas esta manhã, no ISCTE, pelo homem que foi ministro das Finanças entre 2005 e 2011, ao lado do então primeiro-ministro José Sócrates.