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Maria Luís. "Confiei na informação que o Banco de Portugal me dava" sobre o GES

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FOTO LUÍS BARRA

Ministra de Estado e das Finanças, que se deslocou à comissão parlamentar de inquérito ao BES, não fez qualquer declaração inicial, ao contrário do que tem acontecido.

Sónia M. Lourenço

"Relativamente à exposição do BES ao Grupo Espírito Santo (GES), a informação que fui sempre tendo do Banco de Portugal era de que já tinham sido tomadas as medidas necessárias e de que não punha em causa a estabilidade financeira do BES", disse Maria Luís Albuquerque esta quarta-feira de tarde na comissão parlamentar de inquérito ao colapso do BES e do GES.

Isto porque a informação dada pelo supervisor era de que "a exposição era numa dimensão que podia ser comportada com a almofada de capital" que o banco tinha. O que acabou por não se verificar.

A informação chegava à ministra de Estado e das Finanças através de reuniões com o governador do Banco de Portugal e de correspondência proveniente do supervisor. "Confiei na informação que o Banco de Portugal me dava sobre esta matéria, porque é ao Banco de Portugal que cabe esta responsabilidade", frisou.

A ministra salientou que as suas preocupações se centravam no banco e não no Grupo Espírito Santo. Isto porque "a falência de um grupo não financeiro, por muito grande que seja, não me parece que pudesse deitar o país abaixo".

A ministra de Estado e das Finanças não fez qualquer declaração inicial, ao contrário do que tem acontecido, e começou de imediato a responder às questões dos deputados. Uma das primeiras questões incidiu sobre as reuniões que manteve com Ricardo Salgado, antes da queda do BES. A ministra respondeu que o que era solicitado era "apoio institucional para o GES", no sentido de uma facilitação na concessão de crédito por parte da Caixa Geral de Depósitos.

Um apoio que o Governo rejeitou.

"O que os representantes do GES me transmitiram foram problemas de liquidez na parte não financeira do GES". E reforçou: "Nunca o Dr. Ricardo Salgado me pediu ajuda para o BES".

Mais tarde, a ministra manifestou aos deputados a convicção de que na altura o Grupo Espírito Santo "já estava para lá de salvação".