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Manuel Fernando Espírito Santo Silva: "Ficámos todos surpreendidos com desvio de €2500 milhões na ESI"

Ex-administrador da Rioforte, que se deslocou à comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, afirma aos deputados que não sabe se Ricardo Salgado era o único responsável pelas contas na Espírito Santo International. "Esta matéria está a ser investigada no Luxemburgo", sublinha.

Manuel Fernando Espírito Santo Silva não sabe das contas da Espírito Santo International, mas estranha que um desvio de 2,5 mil milhões de euros seja conhecido apenas por um responsável.

"Em 2014, na primeira reunião no Luxemburgo, ficámos todos surpreendidos. Até à data tínhamos sido informados de que não era necessário consolidar as contas", disse esta manhã aos deputados presentes na comissão parlamentar de inquérito ao caso GES e BES. O ex-administrador da Rioforte diz que as dificuldades estavam na ESI porque esta era a holding que detinha a área financeira e não-financeira. Na Rioforte, diz, "não existiam dificuldades financeiras".  

Quanto à Escom, afirma que esta entrou no perímetro da Rioforte em 2009, quando houve uma reestruturação das empresas do grupo, mas como estava a ser vendida, acabou por transitar para a Espírito Santo Resources.

"Não tínhamos a certeza se o contrato era concretizado (apesar de estar a ser negociado com a Sonangol) e achámos melhor não ficar com esse ativo. Criámos a Rioforte para atrair capital", sublinhou, acabando por dizer que não sabe porque "correu mal o negócio da Escom". "Desconheço."

Manuel Fernando Espírito Santo insistiu que não acompanha a área não-financeira e não tinha funções executivas e, como tal, descarta-se do conhecimento sobre todas as decisões relativas ao risco, endividamento e prejuízos das sociedades financeiras. 

Afirmou ainda existir uma equipa técnica para acompanhar as várias áreas financeiras, mas do que lá se passava em termos de grandes riscos não tinha informação.   

Comissões nos submarinos

Quanto às remunerações decorrentes do negócio dos submarinos, Manuel Fernando Espírito Santo Silva referiu que os membros do Conselho Superior do grupo em 2004 tiveram "uma retribuição especial". Falava dos cinco membros que representavam a maioria do capital na Espírito Santo Control.

Afirmou também - depois de questionado pelo deputado socialista e vice-presidente da comissão parlamentar de inquérito José Magalhães, sobre se receberam luvas ou comissões -, que recebera "uma retribuição especial", um pagamento pelos resultados obtidos". Mas diz que não interveio nesse negócio - "quem o fez foi a Escom. Desconheço o circuito. Só sei que fazia parte de um resultado dessa operação e declarei esse rendimento ao fisco". Adiantou ainda que recebera um milhão de euros por isso, embora o conselho superior não seja um orgaõ que aufira remunerações. "Foi a única vez", remata. 

Referiu, no entanto, que o fez através do sistema de regularização ao fisco. Quando questionado sobre se podia disponibilizar esses documentos à comissão, afirmou: "Não tenho documentação, isso foi confiscado pelas autoridades que estão a investigar os vários processos".