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Macieira passa a ser fabricada em Espanha

"Um café e uma Macieira" ou "O bom sabor dos velhos tempos" são mensagens que fazem parte do imaginário publicitário português

Nuno Botelho (via telemóvel)

O histórico brandy Macieira deixa o Bombarral e inicia uma segunda vida para travar queda nas vendas. Fornecedores portugueses ressentem-se.

A produção da Macieira, emblemático e centenário brandy português, vai ser transferida do Bombarral para Manzanares, em Espanha. A decisão do conglomerado francês de bebidas Pernod Ricard é uma resposta à severa queda consumo de brandy e uma tentativa de recolocar a Macieira na moda.

A Pernod Ricard detém a marca líder nos brandies há 14 anos, quando adquiriu a canadiana Seagram. O digestivo deixara em 1973 o universo da família do fundador, José Maria Macieira.

Contactada pelo Expresso, a Pernod Ricard Portugal (PRP) confirma que a "produção de Macieira passou para a Pernod Ricard Espanha, de modo a beneficiar da expertise e das sinergias industriais dentro do grupo". Contudo, a definição "do perfil organolético, estratégia da marca, gestão e distribuição continuam em Portugal, uma vez que continua a ser o seu mercado prioritário", diz a empresa.

Um café e uma Macieira

"Um café e uma Macieira" ou "O bom sabor dos velhos tempos" são mensagens que fazem parte do imaginário publicitário português. A marca renasce, mas produção do brandy que Fernando Pessoa não dispensava segue para Espanha.

A reformulação da Macieira surge como uma resposta ao declínio do consumo de brandy. Este tipo de destilados não seduz as novas gerações e tem perdido quota de mercado e poder de sedução. A PRP procedeu a testes de mercado e afinou uma nova fórmula para renovar a bebida e seguir as novas tendências de consumo.

Para este segundo fôlego, a multinacional concluiu que a moderna base de Manzanares, com tecnologia mais avançada, seria o local adequado para a produzir. A transferência constitui um rude golpe nas organizações que fornecem aguardente à unidade do Bombarral.

Ofensiva exportadora

A Macieira representa mais de metade do consumo de brandy no mercado português. Num primeiro momento, combateu o declínio das vendas com uma aposta na exportação. A Macieira tornou-se na marca do portefólio da Pernod Ricard Portugal com maior volume exportado, apostando na fama de que desfruta junto do mercado da saudade. A marca é exportada para mais de 30 países, estreando-se há dois anos na Rússia e China. A base do Bombarral produz e envelhece ainda a aguardente Aldeia Velha e DAlma.

Com graduação alcoólica de 36º, 40º ou 43º, a Macieira é obtida a partir da aguardente vínica com um envelhecimento mínimo de seis meses em cascos de carvalho. Resulta da destilação de uvas de castas diversas e assenta numa receita que permanece inalterada desde o seu lançamento, em 1885.

A receita original pertence a José Guilherme Macieira, filho do fundador da Casa Macieira, que após estagiar na região francesa de Cognac replicou na Macieira os processos de produção que aprendera. O sucesso foi instantâneo e a marca ganhou reputação e apreciadores.

Antes de ter produção própria, a Macieira & Cia Lda vendia azeite, vinho e destilados, fornecendo a própria casa real.

A multinacional francesa tem vendas globais de 8,2 mil milhões de euros. A faturação da subsidiária portuguesa ronda os 40 milhões.