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Portugal: o retrato feito pelo mercado (BBG)

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Um artigo da Bloomberg publicado ontem sintetiza a perspectiva que o mercado financeiro tem nesta altura sobre Portugal.

Bloomberg:
"As reformas orçamentais portuguesas estão a dar aos investidores maior confiança na sua dívida (...), mesmo com a economia a debater-se sob o peso de austeridade. (...)

Os credit-default swaps em Portugal caíram hoje até aos 725 pontos-base, desde o máximo de 1515 em Janeiro e 1.237 em Maio. (...) A probabilidade implícita de default de Portugal diminuiu de 73 para 46 por cento por cento com o optimismo, de que os cortes de despesa e aumento de impostos coloquem as suas finanças no caminho certo, a superar o encolhimento da economia e o aumento do desemprego. O governo está a tentar cumprir os termos de um resgate de 78 mil milhões de euros e regressar aos mercados de dívida no próximo ano. (...)

"É o poster de sucesso dos programas europeus", disse Arif Husain, diretor da AllianceBernstein, que gere 407 mil milhões de dólares e detém obrigações portuguesas. "As reformas, a menos que algo corra estranhamente mal, conduzirão sempre a uma contracção no curto prazo, mas criam melhores condições para seguir em frente." (...)

O produto interno bruto de Portugal encolheu pelo sétimo trimestre e nos três meses até Junho, caíu 1,2 por cento face ao período anterior, enquanto o desemprego subiu para um máximo na era do euro de 15 por cento. (...)

A nação, que tem 173 mil milhões de euros de dívida, de acordo com dados compilados pela Bloomberg, está a procurar diminuir o seu défice orçamental para 4,5 por cento do PIB este ano e de 3 por cento em 2013. Vendeu participações em empresas estatais, incluindo a EDP-Energias de Portugal SA e a operadora REN-Redes Energéticas Nacionais, SA para reforçar as finanças públicas. (...)

A troika vai chegar a Lisboa em 28 de Agosto para a sua quinta missão de revisão e assegurar que as condições associadas ao programa de resgate permanecem no caminho certo. (...)

Os riscos permanecem e um retorno ao mercado de dívida no próximo ano pode ser "prematuro", segundo Gilles Moec, co-economista-chefe para a Europa do Deutsche Bank AG em Londres. Mas o governo está a fazer "mais do que o suficiente para justificar o apoio continuado da UE", escreveu numa nota aos investidores em 10 de Agosto. (...)

De acordo com Christian Schulz, economista do Berenberg Bank em Londres, (...) "Uma grande vantagem para Portugal é a estabilidade política, o país tem um governo estável e o sucesso do programa de ajustamento funciona como cola." (...) "O governo português superou as expectativas", disse Schulz. "O teste real para a economia Portuguesa será conseguir ou não voltar ao mercado em 2013 a um nível sustentável"."
fonte: Portugal Default Swaps Signaling Gain From Pain | Bloomberg