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Lesados do papel comercial querem solução que garanta já alguma liquidez

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Numa carta enviada ao governador do Banco de Portugal, a Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) rejeita que os clientes lesados percam dinheiro e pede uma solução que garanta já alguma liquidez, tal como condições preferenciais para as pessoas de "idade mais avançada".

Anabela Campos, Isabel Vicente e Pedro Lima

A Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) pediu esta terça-feira ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso BES/GES, Fernando Negrão, que entregasse ao governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, uma carta onde pede que seja encontrada de uma vez por todas uma solução para os clientes lesados.

Nessa carta, os clientes dizem que "não estão disponíveis para aceitar nenhuma solução que parta do pressuposto de qualquer perda do capital retirado de forma ilegal e imoral, pelas estruturas comerciais do ex-BES agora Novo Banco, das suas contas para aplicação em papel comercial", pode ler-se numa carta enviada pela Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) ao governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa.

Além disso, refere a associação, "qualquer proposta efetiva a ser apresentada (ou apadrinhada) pelo BdP e/ou pelo Novo Banco deverá levar em linha de conta um prazo razoável que seja porventura concedido com vista à criação das condições mínimas necessárias mas respeitando casos excecionais de clientes de idade mais avançada que deverão ter um regime preferencial em relação aos demais".

A AIEPC diz ainda que há "condições objetivas para que a proposta formal a ser apresentada aos clientes componha acesso a alguma liquidez de forma imediata para garantir aos clientes a satisfação de alguns compromissos inadiáveis".

Os lesados do papel comercial pedem, por outro lado, que "qualquer proposta antes de ser formal e publicamente apresentada possa ser discutida antecipadamente e de forma privada com a direção desta associação e os seus consultores". E reiteram o convite que dizem já ter feito ao BdP para "auxiliar e integrar a Comissão Técnica de Trabalho Multilateral com representantes das entidades com poder, capacidade e responsabilidade para encontrar uma solução justa, equitativa e equilibrada".

Na carta, a AIEPC apela a Carlos Costa que se empenhe numa solução: "Temos plena certeza que no dever do cargo que ocupa, na dignidade das suas funções, no respeito dos valores de defende e que este caso lhes suscita, não deixará de encontrar as melhores soluções que permitam o reembolso das poupanças destes clientes, para que as suas vidas recuperem o seu caminho".

A associação tinha uma reunião marcada com Carlos Costa para esta manhã, que foi desmarcada, alegadamente por causa da manifestação de sábado passado à porta do governador, segundo a AIEPC, que negou ter tido qualquer intervenção nessa manifestação.

O governador disse que não há "margem de negociação, apenas indicação para que se avance com uma proposta comercial". Acrescentou que "somos capazes de arranjar uma solução, é claro que os clientes terão um corte nas aplicações em troca de valores futuros bem explicados". E referiu que a equipa do BdP tem instruções para receber os clientes.

Carlos Costa disse ainda que a maior ofensa que lhe fizeram foi chamarem-lhe "gatuno", como aconteceu no sábado.