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Lesados do papel comercial querem juntar supervisores, Governo e Novo Banco para resolver o problema

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Lesados do papel comercial desenvolveram um contador online: citam uma frase de Stock da Cunha, presidente do Novo Banco, na comissão parlamentar de inquérito ao colapso do BES - "Não descansarei enquanto não encontrar uma solução para o papel comercial" -, e fazem a contagem dos dias que passaram desde que a promessa foi feita - porque a solução continua por encontrar

A Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) entregou cartas ao Banco de Portugal, à CMVM, às Finanças e ao Novo Banco onde solicita que integrem uma comissão multidisciplinar destinada a resolver o problema do papel comercial vendido aos balcões do BES, antes da intervenção. Já contratou um advogado, que tem experiência no caso BPP, para os representar.

Já são cerca de 600 os associados que aderiram à associação dos clientes lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo. Um dos seus representantes, Ricardo Ângelo, afirmou ao Expresso que estão a ser entregues cartas ao Banco de Portugal (BdP), Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Ministério das Finanças e Novo Banco no sentido de convidar um elemento de cada uma destas entidades a integrar uma comissão multidisciplinar para encontrar uma solução para os clientes de retalho do BES/ Novo Banco.

Ricardo Ângelo aguarda que estas entidades aceitem o convite, revelando desta forma vontade em resolver o problema. A associação afirma que os clientes foram enganados e, na maioria dos casos, subscreveram o produto pensando que estavam a fazer um depósito, confiando nos seus gestores.

A AIEPC tem um contador no sítio da associação (lesadosnovobanco.com), com os dias, horas, minutos e segundos que passaram desde 10 de fevereiro, dia em que Eduardo Stock da Cunha disse aos deputados: "Não descansarei enquanto não encontrar uma solução para o papel comercial". O presidente do Novo Banco proferiu esta declaração no âmbito da sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.

Advogado contratado esteve ligado à associação dos clientes do BPP

Ricardo Ângelo referiu ao Expresso que estão a decorrer reuniões para que os associados possam aderir ao patrocínio jurídico de Miguel Henrique, advogado que esteve ligado à Associação dos Clientes do BPP, por este ter tido "experiência no caso BPP e competência para a matéria em causa". O representante da associação diz ainda que foram contactados outros advogados, mas foi este o escolhido e os associados votaram em assembleia a aprovação do seu nome.

Miguel Henrique integrava a sociedade de advogados Abreu Associados e já formalizou a sua saída para poder aceitar este mandato. Questionado pelo Expresso sobre o motivo pelo qual aceitou o desafio, diz acreditar "poder acrescentar algo de substantivo à defesa, interesses e estratégia dos clientes, decorrente principalmente da experiência passada em situações análogas". Não sabe ainda ao certo quantos clientes irá representar, pois o processo ainda está em curso, mas poderão rondar os 200.

"No BPP fiz parte de um conjunto de pessoas que desde o primeiro momento estiveram na linha da frente na busca de uma solução que não passasse pela forte penalização que se pretendia imputar aos então designados 'clientes do retorno absoluto'", afirma. "O principal mérito da solução então encontrada foi a união e força conjunta dos clientes de norte a sul do país, da sua enorme fé e resiliência, que lutaram durante quase 18 meses para que uma solução justa fosse encontrada."

Quanto ao perfil dos clientes que vai representar, refere que ainda não teve acesso aos dossiês, mas do contacto informal que já estabeleceu com alguns "é nítido o perfil altamente conservador, de pequeno e médio aforrador, muitos deles financeiramente iletrados e que foram vítimas de mais uma situação que, em rigor, não deveria ter novamente acontecido em Portugal num tão curto espaço de tempo".

Sobre se o Sistema de Indeminização aos Investidores (SII) poderia abranger estes casos, mecanismo idêntico ao do Fundo de Garantia de Depósitos, diz ser ainda cedo para se pronunciar, até porque esta semana haverá uma reunião entre a associação e a CMVM. 

O presidente da CMVM, Carlos Tavares, afirmou esta semana que dificilmente o SII poderá abranger estes casos.