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Lesados do BES manifestam-se no Marquês. "É um sítio simbólico para o país perceber o nosso problema"

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Os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), comprado aos balcões do antigo BES, manifestaram-se esta quinta-feira em Lisboa, num protesto que tinha como objetivo fazer uma ronda pelos candidatos à compra do Novo Banco (Santander Totta, o Apollo, o Fosun e o Anbang Insurance) e mostrar que "a luta dos lesados não vai acabar". Eduardo Mota, membro dos órgãos sociais da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIPEC), explica ao Expresso que vão ser tomadas medidas diferentes e que vão ser feitas mais manifestações deste género. 

O protesto teve início no balcão do Novo Banco no Rossio, mas já estava fechado quando os manifestantes lá chegaram. Eduardo Mota disse que "todos os balcões estavam fechados porque esta manifestação não era nenhuma surpresa para ninguém".   

A associação preparou um percurso para o protesto desta quinta-feira, incluindo passagens pelos possíveis compradores da instituição, como o Banco Santander Totta, o Apollo, o Fosun e o Anbang Insurance. Entregaram, a cada um dos candidatos, uma carta que tem a função de sensibilizar os compradores para o problema que existe com os lesados do GES.

À hora de almoço, os manifestantes deslocaram-se para a sede do Novo Banco, na Avenida da Liberdade, e alguns conseguiram quebrar a barreira policial e entrar dentro da mesma, pacificamente. "Essas pessoas entraram na sede de forma individual, como clientes que têm o direito de estar lá dentro. As pessoas do banco nem faziam ideia que eram pessoas da Associação. Isto mostra que somos capazes de fazer coisas surpreendentes", afirma Eduardo Mota.

Esta concentração obrigou ainda ao corte do trânsito no centro de Lisboa e, principalmente, na zona do Marquês de Pombal. O trânsito ficou "caótico", mas Eduardo Mota diz que foi necessário fazer a manifestação naquela zona porque "é um sítio simbólico e com maior visibilidade para o país perceber o nosso problema, a falta de confiança no sistema bancário e a ausência de respostas do Novo Banco e do Banco de Portugal".    

Lesados querem ser ouvidos  Na manifestação estavam presentes cerca de 300 pessoas. Queriam ser ouvidos e exigiam que o país e as entidades percebessem que os lesados do papel comercial do GES não estão envolvidos nesta batalha provisoriamente. "Estaremos completamente envolvidos neste problema até restituírem as nossas poupanças, feitas ao longo da nossa vida", refere Eduardo Mota. 

Os lesados do papel comercial do GES mostram-se "desesperados" para obterem respostas, serem ouvidos e, acima de tudo, serem restituídos do dinheiro que perderam. "Nós queremos toda a restituição do dinheiro, nem que seja daqui a uns anos. Convém é que não seja a longo prazo, porque há muitas pessoas envolvidas que estão acima dos 70 anos e podem nunca mais ver o dinheiro que perderam."

Eduardo Mota declara ao Expresso que, neste momento, existem pessoas que vivem em barracas e que tiveram que vender carros e casas por não terem dinheiro. As pessoas com dificuldades financeiras estão a ficar "desesperadas" e é por estas razões que a AIPEC vai continuar a lutar para que lhes seja restituído o dinheiro que perderam.