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KPMG alertou três anos para o BES Angola mas aprovou as contas - e nunca foi ouvida

Leitura de três anos de relatórios da KPMG mostra que a opacidade nas contas do BES Angola foi detetada e alertada desde as contas de 2011. Mas acionistas e reguladores pouco fizeram. E a própria auditora aprovou sempre as contas. Sikander Sattar estará esta tarde no Parlamento.

Documentos: Relatório de Auditoria Independente às contas do BESA de 2011, 2012 e 2013 Auditor: KPMG Empresa auditada: Banco Espírito Santo Angola

 

Desde as contas de 2011 que a KPMG alerta para a falta de visibilidade para a carteira de crédito. Esse seria o problema essencial nas contas do banco angolano controlado pelo BES. Este ano, uma notícia do Expresso revelaria que o BESA tinha créditos no valor de 5,7 mil milhões de dólares sem garantias ou sem conhecimento dos próprios credores. O BES haveria de perder, já no verão de 2014, 80% dos mais de três mil milhões de euros que emprestara ao BES Angola.

A KPMG era a auditora do BES, da holding Espírito Santo Financial Group e tal incluía o BES Angola. Desde 2011 que o relatório da KPMG às contas do BESA sublinham que o sistema informático não permitia conhecer informação sobre os créditos.

O BES Angola "ainda não dispõe, à presente data, de desenvolvimentos informáticos que permitam a identificação efetiva (i) das operações de crédito que foram objeto de reestruturação e (ii) do grupo económico em que cada cliente se insere", pelo que, na opinião da KPMG, "não nos é possível concluir acerca da adequação do montante registado na rubrica Provisões para Créditos de Liquidação Duvidosa". Esta era uma das reservas que o auditor levantava logo no relatório sobre as contas de 2011, que haveria de ser repetida, nesta ou noutra formulação, nos anos seguintes: em três relatórios.

Além disso, a KPMG levantou dúvidas sobre os imóveis que estavam em balanço do banco, nomeadamente quanto à sua existência, titularidade e valorização. E falou da necessidade de aumentos de capital.

Os relatórios da KPMG não evitaram a permanência do problema, quer junto dos acionistas do BES Angola (incluindo o BES), quer os supervisores, quer o Banco Nacional de Angola, quer o Banco de Portugal. A própria KPMG considerou que, apesar da falta de visibilidade sobre a carteira de créditos, as contas mereceriam aprovação. Em entrevista ao Expresso no início de setembro, Sikander Sattar, presidente da KPMG Portugal e então líder da KPMG Angola, justificou estas opções. Recorde-se que, quer o governo (através da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque), quer o Banco de Portugal (através do vice-governador Pedro Duarte Neves), já questionaram o papel dos auditores no colapso do Grupo e do Banco Espírito Santo.

 

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OS FICHEIROS BES SÃO UMA INICIATIVA EDITORIAL DO EXPRESSO, DE DIVULGAÇÃO DE DOCUMENTOS CONFIDENCIAIS ESSENCIAIS PARA A COMPREENSÃO DO CASO ESPÍRITO SANTO. PARA LER MAIS FICHEIROS BES, CARREGUE AQUI.