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Juros da dívida acima de 2%

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Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos já ultrapassaram a barreira dos 2% na sessão desta sexta-feira no mercado secundário da dívida soberana.

As yields das Obrigações do Tesouro português no prazo de referência, a 10 anos, já ultrapassaram esta sexta-feira a barreira dos 2% pelas 10h no mercado secundário, segundo dados da Investing.com.

Em relação ao fecho de sexta-feira passada, a subida das yields das OT nesta maturidade é de mais de 40 pontos base. 

Na sessão de abetura desta sexta-feira é, por ora, a maior subida entre o periféricos da zona euro na maturidade a 10 anos, superior inclusive à registada com as yields das obrigações gregas que subiram para 12,77%.

Alguns analistas falam de um "contágio grego" incidindo em três periféricos, Portugal, Itália e Espanha.

Segundo os analistas, é baixa a probabilidade de um acordo entre a Grécia e o Eurogrupo na reunião de ministros das Finanças da zona euro no dia 24 de abril, e a nova meta para um entendimento já é apontada para a reunião seguinte a 11 de maio, um dia antes do Tesouro grego ter de passar um cheque de 763 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional.

O calendário de responsabilidades relativas à dívida soberana helénica está carregado até final de agosto.

Em maio, o Tesouro grego terá de refinanciar 2,8 mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT, dívida de curto prazo) e passar dois cheques ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o já referido de 763 milhões de euros e um outro de juros num montante de 200 milhões de euros. Em junho, há que refinanciar 5,2 mil milhões de euros em BT, o valor mais elevado do semestre, e pagar ao FMI mais 2 mil milhões de euros. Para julho, surgem amortizações de 3,5 mil milhões de euros em obrigações acrescidas de 606 milhões de juros, e um montante de 2 mil milhões de BT terá de ser refinanciado. Finalmente, em agosto, há, de novo, amortizações de obrigações num montante de 3,2 mil milhões de euros com 195 milhões de juros adicionais, o refinanciamento de 2,4 mil milhões de euros em BT e um cheque para o FMI de 178,4 milhões de euros em juros. Ao todo, entre maio e agosto, são 22,4 mil milhões de euros.  O Banco Central Europeu (BCE) tem obrigações em carteira que vencem em julho e agosto.

Em entrevista ao site "The Huffington Post", o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, sublinhou na quinta-feira que o governo de Atenas não planeia nem deseja um default, mas, recordou, esse tipo de evento já aconteceu com a Grécia dentro do euro, em 2012. Da conversa com Varoufakis, o site norte-americano concluiu: se os credores oficiais não cederem nas áreas onde Atenas não cede politicamente, a Grécia não terá outra alternativa senão entrar em incumprimento nos próximos pagamentos.

 

Obama e Varoufakis não querem "desestabilização por acidente"

O ministro das Finanças Yanis Varoufakis sublinhou na quinta-feira em uma intervenção realizada em Washington DC no Brookings Institute que a Grécia não concordará com "metas que não são exequíveis para a nossa economia" e que os credores oficiais "deverão compreender que o resgate falhou". O mediático ministro helénico marcou os destaques nas redes sociais com uma frase que rapidamente se tornou viral: "a Grécia passou de um crescimento de tipo Ponzi, com um endividamento insustentável, para um período de austeridade Ponzi".

Ao final da tarde, Varoufakis encontrou-se com o presidente Obama na Sala Oval no âmbito das celebrações do Dia da Independência da Grécia face ao império otomano. Segundo os presentes, a conversa informal entre Obama e Varoufakis teria demorado 12 minutos e teve alguns momentos de boa disposição, com o presidente norte-americano a gracejar: "Ele veio trazer-nos dinheiro". É o primeiro membro do novo governo grego a falar com o presidente da primeira potência mundial. 

Num gesto de quebra do protocolo, o presidente norte-americano conversou com um ministro de um país estrangeiro e, segundo Varoufakis em declarações aos jornalistas após o evento, a conversa informal teria abordado vias práticas para "evitar desestabilização por acidente ou por procedimentos descontrolados".

Entretanto, o jornal grego Kathimerini referia na quinta-feira que o Ministério das Finanças helénico tem na calha legislação para obrigar todas as entidades públicas, incluindo fundos da segurança social e empresas estatais, a transferirem as suas reservas de caixa para o Banco Central num total estimado em 2,5 a 3 mil milhões de euros para que essa "almofada" compulsiva possa ser utilizada em responsabilidades do Estado, em caso de necessidade. O ministro-adjunto das Finanças, Dimitris Mardas, anunciou que, devido a uma "explosão de receitas" (sobretudo cobrança junto de devedores ao fisco e segurança social), o governo atingiu um excedente orçamental primário de mais de 1,7 mil milhões de euros no final do primeiro trimestre de 2015, quando o objetivo era de 119 milhões de euros.

 

Fuga de depósitos continua e medo de contágio nos vizinhos

Por seu lado, o Banco Central revelou que a fuga de depósitos do sistema bancário grego continua, ainda que esteja a desacelerar; em março foi de 5,27 mil milhões de euros contra 15 mil milhões em fevereiro e quase 27 mil milhões em janeiro. Desde junho de 2014 o montante de fuga ascende a 66 mil milhões de euros.

Ainda segundo o Kathimerini, os bancos centrais dos países limítrofes (Albânia, Bulgária, Chipre, ex-república da Macedónia da federação jugoslava, Roménia, Sérvia e Turquia) obrigaram as subsidiárias dos bancos gregos a reduzir a exposição ao risco helénico, como precaução para um cenário de rutura nas negociações entre Atenas e os credores oficiais. Os bancos gregos têm uma quota de mercado importante nos sectores bancários da Bulgária, Chipre, Macedónia (ex-república da Federação Jugoslava) e Roménia.