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Joaquim Goes diz que os juros sobre linha de crédito do BES ao BES Angola"não foram pagos"

António Cotrim/Lusa

O administrador do BES, Joaquim Goes afirmou aos deputados que para o BES Angola foi delineado um plano estratégico para reduzir a exposição a fontes de financiamento externas já em meados de 2012. Mas " não se estanca uma evolução em que o crédito é muito superior aos recursos captados de um dia para o outro", e a exposição de financiamento e crédito aumentou porque os juros em dívida acumularam, ou seja não foram pagos

"Quando se fala de uma exposição de mais de 3000 milhões de euros a Angola e se aplicam juros na ordem dos 5% não e de estranhar que a dívida possa ter subido", disse Joaquim Goes na comissão de inquérito parlamentar ao caso BES, acrescentando que não é lícito, como já foi dito nesta comissão, que " o BES como um todo estava a tirar partido desta situação" e que "os juros podem não ter sido pagos".

O administrador do BES deixa em aberto esta questão. Mais tarde, Joaquim Goes esclarece os deputados ao dizer  que "os juros (devidos pelo BESA ao BES ) foram acumulando. Uma parte significativa do aumento da exposição foi  por esta via". 

Referia-se aos juros que Angola devia por via da linha e crédito do BES ao BES Angola, que "podem não ter sido pagos". Ou melhor como adiantou mais tarde, não foram pagos.

Por outro lado, Joaquim Goes referiu também que "o BES como um todo não estava a tirar partido dessa situação". Goes estava a reportar-se ao que havia sido dito por Álvaro Sobrinho, ex-presidente da operação do BES em Angola, na semana passada, quando este afirmou que os juros cobrados pelo BES ao BESA eram elevados e concorreram para os bons resultados do banco em Portugal. 

Esclareceu ainda que em finais de 2012 houve necessidade de serem alterados órgãos sociais do banco em Angola e isso servirá também para implementar o plano estratégico de mudar a tendência que colocava o BESA numa situação de desequilíbrio face ao crédito concedido que era muito elevado face aos recursos captados. Reduzir esse diferencial era fundamental. "Só a partir de meados de 2013 houve uma estabilidade na governação do BESA", diz.

Recorde-se que em finais de 2012, Álvaro Sobrinho foi substituído na administração executiva do BESA por uma equipa nova liderada por Rui Guerra.  "Estava programado a necessidade de reduzir a concessão de crédito em Angola e captar mais recursos para que o financiamento do banco não dependesse de financiamento".

Ja foi amplamente discutido nesta comissão, diz, a limitação inerente ao sigilo bancário em Angola a vários níveis de acompanhamento. Quer os órgãos sociais do BES como a comissão executiva do banco tinha dificuldade em saber o que se passava.