Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

João Cravinho defende aumento da idade de reforma para os 67

"É preciso partilhar a responsabilidade e o sacrifício entre o próprio que vai viver mais anos e quem paga as reformas em geral", afirmou o ex-ministro socialista.

O antigo ministro socialista João Cravinho defendeu hoje, em Coimbra, o aumento da idade de reforma de 65 para 67 anos em 2030, como forma de evitar o "afundamento" das pensões e evitar reformados "mais pobres". "Para não existirem novos pobres reformados, a solução é aumentar a idade de reforma. É profundamente vital, não há outra solução e é justo, porque está a aumentar a esperança de vida", sublinhou o antigo titular da pasta das Obras Públicas no Governo de António Guterres. João Cravinho intervinha no debate "Um combate estratégico contra o desmantelamento do Estado Social", promovido pela estrutura socialista Clube de Coimbra, em que também defendeu uma profunda mudança no sistema contributivo. O antigo governante considera que, devido ao aumento da esperança média de vida, os aposentados aos 67 anos vão ter mais tempo na reforma do que atualmente. "É preciso partilhar a responsabilidade e o sacrifício entre o próprio que vai viver mais anos e quem paga as reformas em geral. Se eu aumentar a idade de reforma para os 67 anos em 2030, eu vou ter reformados em 2050 que têm mais anos de reforma do que têm hoje", sublinhou.

Evitar reformados mais pobres

Segundo João Cravinho, "não há outro processo de garantir que as pensões não se afundem, de modo a que no futuro passe a haver mais pobres reformados". "Se quisermos evitar isso, este é o remédio mais poderoso que temos", defendeu, embora reconheça que é uma medida "impopular, combatida por toda a gente, que pensa pouco, que não raciocina e não vê que este é um sistema justo". O ano de 2030 apontado para esta alteração é, segundo João Cravinho, para garantir que os futuros reformados "não vão ter menos tempo de reforma do que os atuais".

Crescimento económico é essencial

A par desta medida, o antigo deputado socialista defendeu ainda a introdução na Segurança Social de um sistema de "contas nacionais ou não financeiras" para cada contribuinte e rejeitou que o envelhecimento da população portuguesa traga ao país uma "situação catastrófica". Baseando-se em cálculos a partir de dados oficiais, João Cravinho referiu que o crescimento económico é que é "decisivo" para o futuro da sustentabilidade da Segurança Social. "Temos de perceber que verdadeiramente decisivo para o futuro é a dimensão do bolo, coisa de que pouca gente fala. Fazem comparações estáticas entre 2007 e 2060 como se o bolo fosse o mesmo, mas o seu crescimento torna a questão absolutamente diferente, porque é muito diferente a partilha de um bolo de 100 com o tamanho de 200 ou 300", frisou.