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Jardim Gonçalves nega falta de informação nas contas do BCP

O ex-presidente do BCP afirma que o banco não cometeu qualquer erro ao não refletir nas contas da instituição as 17 offshores sem último beneficiário conhecido, detetadas em 2002.

O ex-presidente do BCP Jardim Gonçalves disse hoje que o banco não cometeu qualquer erro ao não refletir nas contas da instituição as 17 offshores sem último beneficiário conhecido, detetadas em 2002.

"Dizem que essas contas não são verdadeiras, mas quais são as verdadeiras? O Banco de Portugal até hoje não fez uma alteração às contas" do BCP, disse Jardim Gonçaves, no julgamento do recurso dos ex-gestores do banco das coimas aplicadas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O fundador do BCP respondia a uma questão do representante da CMVM que o questionava sobre a razão de as 17 offshores sem UBO [último beneficiário] conhecido não terem sido incorporadas nas contas do BCP, após estas terem sido detetadas no final de 2002.

"A situação destas offshores não foi refletida nas contas dos bancos, as 'offshores' não foram consolidadas, nem houve provisionamento", inquiriu a CMVM.

"Não era preciso pôr nas contas, nas contas estava tudo certo", respondeu Jardim Gonçalves. Segundo o ex-presidente do BCP, uma vez que o banco "não adquiriu" essas ações, "não tinha de o registar".

Banco "detetou" problema

Ainda na sessão de hoje, Jardim Gonçalves disse que a existência de offshores em que era desconhecido o último beneficiário foi uma falha do BCP, mas acrescentou que foi o próprio banco que detetou o problema.

No entanto, acrescentou que, apesar dessa falha, nenhum banco tinha "melhor controlo [interno] do que o BCP", recordando que foi o "próprio banco" a detetar a falha. "Não foi uma inspeção do Banco de Portugal ou da CMVM" que detetou o problema, sublinhou.

Ainda em resposta a questões do representante da CMVM, já sobre o contrato de financiamento concedido pelo BCP em 2004 ao empresárioMiguel Paupério no valor de 600 milhões euros, Jardim Gonçalves disse não se lembrar de ter falado disso com o auditor externo às contas do banco, então KPMG.

"É que da parte do auditor houve um alerta de risco de exposição creditícia para este contrato", adiantou o representante da CMVM. "Não me lembro de nada", garantiu Jardim Gonçalves, acrescentando que "todas as contas [do BCP] foram aprovadas pelos auditores sem nenhuma qualificação", ou seja, sem reservas.

Questionado também sobre se teve conhecimento da concessão deste crédito, Jardim Gonçalves não deu uma reposta cabal. "Se passou pelo conselho administração, tive conhecimento", afirmou.

O fundador do BCP disse ainda que "não" soube do financiamento do banco à offshore do também empresário Goes Ferreira e afirmou que, se com o crédito concedido pelo banco, esta comprou maioritariamente ações do BCP é "porque o quis fazer", negando qualquer envolvimento.

Nove gestores acusados de prestação de informação falsa ao mercado

Jardim Gonçalves testemunhou hoje no julgamento do recurso das penas da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a ex-gestores do BCP.

A CMVM acusa nove ex-gestores do BCP - Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues, Alípio Dias, António Castro Henriques e Paulo Teixeira Pinto, assim como Luís Gomes e Miguel Magalhães Duarte, ainda em funções no banco - de prestação de informação falsa ao mercado, no período entre 2002 e 2007.

Neste sentido, o regulador aplicou coimas aos nove ex-administradores e decretou a inibição da atividade bancária a oito deles pelo máximo de cinco anos.