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Isabel dos Santos retira OPA sobre a PT SGPS

A empresária angolana decidiu retirar a OPA sobre a PT SGPS, depois de a CMVM não a ter libertado do lançamento da oferta subsquente obrigatória. E contra-ataca acusando a administração da PT de falta de transparência e de ter travado a chegada da oferta ao mercado.

Anabela Campos

A decisão de retirada de oferta pública de aquisição não surpreende, aliás os investidores já estavam à espera. As ações da PT SGPS, empresa que detém 25,56% da Oi, fecharam hoje a valer um euro. Isabel dos Santos oferecia 1,35 euros por ação e tinha de subir o preço. Mário Silva, o representante da empresária, já tinha dito que não iria aumentar o preço da OPA, porque ele era justo e equitativo.

"Uma vez que a decisão da CMVM de não deferimento do pedido de derrogação implica a não verificação de uma condição de lançamento da pferta, a oferente, decide, após cuidada ponderação, retirar a oferta", lê-se no comunicado que a Terra Peregrin, empresa de Isabel dos Santos, acabou de divulgar. A oferta da empresária avaliava a PT em 1,2 mil milhões de euros.

Isabel dos Santos diz que a OPA "nunca pretendeu ser hostil e que fez todos os esforços ao seu alcance para a fazer chegar ao mercado, tendo para isso, entre outros, prescindido, não obstante a implicação gravosa para os seus interesses, de condições legítimas de lançamento da oferta, como a aceitação da limitação estatutária à contagem de direitos de votos na CorpCo (tal como definida no anúncio preliminar)".

Isabel dos Santos ataca empresa liderada por Mello Franco

"Interrogamo-nos sobre os interesses menos transparentes que levaram a administração da PT SGPS a opôr-se à chegada da OPA ao mercado, incluindo a difusão de informação comprovadamente falsa", diz fonte oficial da empresária angolana. "A história desvendará as motivações da administração da PT SGPS ao dificultar uma oferta que representa 100% de prémio sobre as cotações da Oi enquanto tudo fazia para estimular um negócio que destrói valor para grande parte dos accionistas", prossegue a mesma fonte.

Num discurso bélico, responsabiliza a gestão da PT SGPS, liderada por João Mello Franco, de ter dificultado a vida aos acionistas.  "À administração da PT SGPS será imputada a responsabilidade principal de ter dificultado o acesso dos acionistas a uma oferta ao preço de 1,35€. Bastará acompanhar a evolução das cotações da empresa".

 "Usámos da máxima transparência nesta oferta e sempre dissémos que ela constituia um meio para atingir o objectivo da criação de um operador de telecomunicações multinacional de base lusófona. Estamos determinados em prosseguir essa estratégia pelo que vamos continuar a analisar alternativas ao investimento que tínhamos projectado na PT SGPS".