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Isabel Almeida reportava a mim e também a Ricardo Salgado, diz Morais Pires

Ex-responsável financeiro do BES disse aos deputados que a diretora financeira do banco, que foi constituída arguida nas últimas semanas, reportava a si e a outros administradores e, "como sempre, a Ricardo Salgado".

Sónia M. Lourenço

"A dra. Isabel Almeida era diretora-geral do banco. Tinha autonomia para dirigir o departamento", disse Amílcar Morais Pires aos deputados, na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES.

O ex-responsável financeiro do banco respondia a uma questão do deputado Miguel Tiago sobre a diretora financeira do BES, constituída arguida nas últimas semanas.

Morais Pires disse ainda que "não me escuso na ideia que viajava 47 semanas em 52 do ano", reconhecendo que o departamento financeiro "estava sob o meu pelouro".

Mas salientou que Isabel Almeida "reportava também a outros administradores ou, como sempre, ao dr. Ricardo Salgado". Nas ausências de Morais Pires, reportava "ao dr. Ricardo Salgado", disse.

O pelouro do risco do BES não devia estar nas mãos do presidente do banco de investimento, considerou ainda Amílcar Morais Pires.

O ex-responsável financeiro do BES, disse aos deputados que o pelouro do risco pertencia a José Maria Ricciardi - presidente do Banco Espírito Santo de Investimento, administrador do BES e também da Espírito Santo International, a holding de topo do grupo Espírito Santo -, além de Joaquim Goes, também administrador do banco.

"Não é justo dizer que o seu nome constava só do papel. Era responsável pela área com o dr. Joaquim Goes. E era administrador comum do BES e da ESI", salientou Morais Pires.

E foi mais longe, considerando que "o risco, se calhar, não devia estar na mão do responsável pelo banco de investimento".

Sobre a liderança do banco, Amílcar Morais Pires frisou que na banca os sistemas são presidencialistas, pelo que "era normal que Ricardo Salgado fosse informado de todas as situações".

A audição do ex-responsável financeiro do BES, na comissão parlamentar de inquérito, está a ser marcada por sucessivas questões dos deputados sobre a Eurofin, cujas operações com o BES têm estado no centro das investigações.

Morais Pires tem recusado responder a todas essas questões, alegando segredo de justiça, dadas as investigações em curso.