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Horta Osório. Salários ibéricos "melhoraram" 30% face aos dos alemães

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O presidente do Lloyds Banking Group, António Horta Osório, intervém na conferência organizado pelo "Jornal de Negócios"

Miguel A. Lopes/Lusa

CEO do Lloyds diz que não havia alternativa a baixar salários (reais e nominais) em Portugal para ajustar a economia. E que isso fez com que os salários em Portugal e em Espanha variassem face aos alemães cerca de 30% nos últimos oito anos. "Melhorar" é, neste caso, em relação à competitividade. Ou seja, os salários caíram face aos alemães

Na abertura da conferência anual do "Jornal de Negócios", que debate esta sexta-feira os "Caminhos do crescimento" e as "Tendências na Europa, na Banca e na Economia", António Horta Osório afirmou que os salários dos portugueses e dos espanhóis registaram uma "melhoria" de 30% em relação aos dos alemães nos últimos oito anos. 

No caso, "melhoria" é em relação à competitividade, pelo que resulta de variações em termos reais desfavoráveis aos trabalhadores portugueses. 

Segundo o banqueiro, CEO do Lloyds, esta crise foi antecedida por período de "crescimento em precedentes" que teve com base o aumento das exportações. "Em cerca de 30 anos passaram de 20% para 30% do PIB, o que tem consequências enormes ao nível do aumento da riqueza dos países", declarou.

"Como em qualquer família temos que viver dentro das nossas posses. Quando se baixa a procura interna isso tem um enorme impacto ao nível desemprego. A solução é aumentar as exportações", acrescentou.

Horta Osório sustentou ainda que importante tirar lições desta crise para não se não repetirem os mesmos erros no futuro.  "No caso português, além da dívida global ter passado de 270 para 340% do PIB, Portugal tem um problema especialmente preocupante porque tem dívida ao nível público e das empresas", sublinhou.

Defendendo que as reformas estruturais, tal como insiste o FMI, são o caminho para a recuperação económica, Horta Osório frisou que estas devem ser orientadas sobretudo para a melhoria da competitividade e para a correção dos desequilibrios externos. 

António Horta Osório apontou ainda imigração como um dos caminhos possíveis para a recuperação económica, dando como exemplo o caso de Singapura.