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Hoje há assembleia-geral para dividir Montepio em dois

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Nuno Fox

Separação entre a gestão do banco e a gestão da associação mutualista será decidida na assembleia-geral de hoje, que nomeará comissão responsável para criar projeto de alteração ao modelo de governação. Teixeira dos Santos deverá presidir ao banco comercial a partir do verão.

Até agora, a Caixa Económica Montepio Geral e o Montepio Geral Associação Mutualista tinham gestão conjunta. Na prática, pareciam apenas uma instituição. A partir de agora, cada uma das instituições - banco comercial e associação mutualista - vão ter gestões separadas. O primeiro passo para a definição do novo desenho do Montepio será dado hoje, na assembleia-geral da associação mutualista, que vai nomear, uma comissão, com cinco membros, para criar um projeto de alteração dos estatutos do banco. Na prática, é a associação mutualista Montepio que controla o banco Caixa Económica Montepio Geral.

Tomás Correia tem presidido a associação mutualista e o banco. Com o seu mandato a terminar no final do ano, estão a ser tomadas as diligências necessárias para, já no verão, estarem terminadas as alterações estatuárias da associação mutualista que abram caminho à alteração do modelo de governação do banco. 

Como contou o Expresso, na edição de sábado, foi o Governador do Banco de Portugal (BdP) que pressionou a separação de águas na gestão das duas instituições. E é também Carlos Costa que valida a escolha de Fernando Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças dos Governos de Sócrates, para a liderança do banco comercial do Montepio.

Em 2014, o Montepio teve prejuízos de €187 milhões, o que o banco justifica com fatores negativos de "natureza não recorrente no montante de €274,1 milhões". No ano anterior, os prejuízos tinham sido de €298,6 milhões. O produto bancário aumentou 108%, para €784,5 milhões, beneficiando da margem financeira (aumento de 49,4%) e dos resultados de operações financeiras. As provisões e imparidades aumentaram €245,9 milhões, o que o Montepio atribui à "ainda débil conjuntura macroeconómica e ao registo de €208,9 milhões relacionados com fatores de natureza não recorrente".

Os resultados do banco foram também penalizados pela exposição do Montepio ao Grupo Espírito Santo (GES). A Caixa Económica Montepio Geral teve de colocar de lado cerca de €140 milhões para fazer face aos riscos de exposição do GES.