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Greve na CP. Alfas e intercidades a andar, suburbanos parados

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António Cotrim/Lusa

Porta-voz da empresa disse à Lusa que entre a meia-noite e a oito da manhã só circularam 21 comboios em 262 previstos. 

Apenas 21 dos 262 comboios programados circularam entre as 00h e as 08h de hoje devido à greve dos revisores da CP, disse a porta-voz da empresa, salientando que a maioria são Alfa Pendular e Intercidades.

"Foram realizados 21 comboios em 262 programados a nível nacional. Destes 21, dez são comboios de longo curso (Alfa Pendular e Intercidades). Depois, temos seis urbanos em Lisboa e dois no Porto, o que é muito pouco", disse à Lusa Ana Portela.

Segundo a mesma fonte, por não terem sido decretados os serviços mínimos pelo Tribunal Arbitral, nomeado pelo Conselho Económico e Social, a CP está a conseguir, com muito esforço, manter a maioria dos Alfa Pendular e Intercidades em circulação.

Ana Portela disse que esta greve vai afetar fortemente os passageiros da CP que se deslocam de comboio na época da Páscoa.

"Estão a circular todos os comboios Alfa Pendular e Intercidades. A CP apesar de não haver serviços mínimos e porque estes comboios têm muita procura devido às férias da Páscoa conseguiu fazê-los circular. Aliás estamos prever, durante todo o dia de hoje [quinta-feira], fazer circular a quase totalidade dos Alfa Pendular e Intercidades", disse.

"Lembro que a CP transportou no ano passado 1,1 milhões passageiros nos cinco dias (período de miniférias da Páscoa). Tivemos os comboios sempre na capacidade máxima, nomeadamente os de longo curso. Para termos alternativa à greve, agora, precisaríamos de mais de 20 mil autocarros. É inconcebível", exclamou.

Os revisores CP agendaram uma greve de quatro dias (02, 03, 05 e 06 de abril) para reclamar o cumprimento da decisão dos tribunais relativa ao pagamento dos complementos nos subsídios desde 1996.

A esta paralisação vem juntar-se a greve ao trabalho em dia feriado convocada pela Federação do Sindicato dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) para os dias 3 e 5 (sexta-feira Santa e domingo de Páscoa).

Em declarações à Lusa esta quinta-feira de manhã, o presidente do presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial Itinerante, Luís Bravo, disse que a adesão à greve dos revisores da CP rondou os 100% nos turnos entre as 23h e as 8h.

Na sequência das greves, a circulação deverá começar a ser afetada, devendo os atrasos e supressões prolongar-se até terça-feira (7 de abril) de manhã.

O presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), Luís Bravo, explicou à Lusa na quarta-feira que a CP foi condenada, em várias instâncias, a restituir os complementos que não foram pagos aos trabalhadores no subsídio de férias desde 1996 e no subsídio de Natal entre 1996 e 2003, estimando uma dívida de cerca de dez milhões de euros aos revisores e trabalhadores das bilheteiras.

Sem possibilidade de recurso, a CP e os representantes dos trabalhadores sentaram-se à mesa para chegar a uma acordo "para a empresa pagar essa dívida de forma gradual" e, em reunião a 18 de março, os representantes do SFRCI foram informados de que a proposta de acordo ainda não tinha sido enviada à tutela, o Ministério da Economia.

"Nesse mesmo dia, decidimos quebrar a paz social, no período da Páscoa, com dois dias de greve, porque nestes nove meses de negociação, a administração criou a legítima expectativa de que os trabalhadores iriam ser ressarcidos e pensávamos que a empresa estava a proceder de boa-fé", explicou à Lusa Luís Bravo, acrescentando que "o sindicato tentou tudo para evitar esta greve". 

 

[Notícia atualizada às 10h