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Grécia ultrapassa Ucrânia no risco de bancarrota

O dia nos mercados de seguros sobre a dívida externa continuou vermelho para Atenas. A probabilidade de incumprimento por parte do país mantém-se acima dos 29%. Portugal mantém risco alto, de 15%

A Grécia continua a ser o bombo da festa nos mercados de credit default swaps (cds) sobre a dívida externa. O risco de bancarrota voltou a subir durante o dia de quinta-feira (15/04) para fechar nos 29,64%, abaixo de quarta-feira. Mas como o risco relativo à Ucrânia baixou, a Grécia viu-se projectada para o 4º lugar no clube de má fama, que reúne a Venezuela, Argentina e o Paquistão.

Atenas continua a ser vítima da percepção de alto grau de incerteza nos mercados. Diversos factos no espaço de poucas horas, por vezes de sinal contrário, provocam uma alta volatilidade nas expectativas, que se traduzem em movimentos de alta e de baixa no mercado dos cds.

O imbróglio político europeu

A agência semioficial de notícias grega, a Ana, divulgou uma carta do Ministério das Finanças para a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional propondo a abertura formal de discussões sobre um plano plurianual de políticas macroeconómicas. Os gregos querem colocar a discussão num horizonte para além de 2010. A carta alega, no entanto, que não se destina, de imediato, a pedir o accionamento do mecanismo financeiro acordado em Bruxelas para um sistema de empréstimos à Grécia tendo em vista as suas necessidades de financiamento da dívida externa durante este ano.

No entanto, esta carta cruzou-se com o espalhar de rumores de que vários parlamentos de países da zona euro poderão votar contra o novo mecanismo de emergência, logo que ele seja divulgado oficialmente nos seus detalhes e quando forem chamados a se pronunciar. A Bloomberg americana especulava que a passagem do mecanismo poderia ser difícil na França, Irlanda e Alemanha. Neste último caso, soube-se que Joachim Starbatty, professor da Universidade de Tubingen, uma das vozes do "não", irá colocar um recurso junto do Tribunal Constitucional alemão em Karlsruhe suscitando a apreciação da constitucionalidade desse mecanismo de apoio.

O "plano" de Olli

Por outro lado, é também incerta a reacção política de muitos países se o projecto do comissário europeu para os assuntos económicos e financeiros, o finlandês Olli Rehn, receber luz verde na cimeira do Ecofin em Madrid esta sexta-feira.

Olli tem insistido que o grupo do euro deverá estar sujeito a um sistema de monitorização apertado que preveja sinais de alarme antecipados sobre derrapagens orçamentais dos seus 16 membros, encurtando a margem de independência orçamental que ainda existe formalmente. Olli em entrevista ao Financial Times Deutschland deu a entender que seria eficaz o funcionamento de um corpo de coordenação do tipo do Conselho de Planeamento financeiro alemão. Olli pretende apresentar a sua proposta final formal na reunião do Eurogrupo (que, apenas, abrange os ministros das Finanças dos países membros da zona euro) em Bruxelas a 17 de Maio que precederá uma cimeira do Ecofin (reunião dos ministros da Economia e das Finanças dos 27 membros da UE) no dia seguinte.

Depois de uma subida acentuada durante a manhã, a probabilidade de incumprimento da dívida soberana portuguesa fechou esta quinta-feira nos 15,10%, acima da percentagem de quarta-feira, dia em que o agravamento da deterioração do risco português foi o mais elevado entre todos os países.

Espanha também manteve hoje a tendência ascendente no seu risco, que continua acima dos 12%.

Em termos de comparação, o risco de bancarrota da Alemanha é inferior a 3%, o da França a 5% e o da Áustria a 6%.

Os outros dois países do conjunto designado pejorativamente por PIIGS, a Irlanda e a Itália, têm conseguido "descolar" da tendência altista que afecta os outros três "colegas".

A principal implicação da percepção de uma probabilidade alta de default (de incumprimento) na dívida soberana é a deterioração das condições de obtenção de crédito nos mercados internacionais. O que a Grécia tem provado.

Alguns economistas alegam que há um risco, nesta última fase da Grande Recessão em que temos vivido desde 2007, de uma sequência de defaults em países europeus com dívidas externas elevadas e horizontes de crescimento económico medíocre.