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Grécia ultrapassa Dubai e Iraque em risco de bancarrota

Em apenas sete dias, a Grécia subiu do 9º lugar no clube dos 10 de maior risco mundial para 5º, ultrapassando a Letónia, a Islândia, o Dubai e o próprio Iraque. Portugal e Irlanda mantêm-se a par, em 26º e 27º lugares na probabilidade de incumprimento da dívida soberana

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

A solução aprovada por Bruxelas em 25 de Março continua sem convencer os mercados financeiros ligados à dívida soberana.

A Grécia assiste a uma escalada, de novo, do seu risco de bancarrota, tendo, em apenas sete dias de operação do mercado dos credit default swaps (cds), subido do 9º lugar para o 5º, ultrapassando casos tidos como mais graves no início do ano, como a Letónia, a Islândia, o Dubai e o próprio Iraque. Agravamento que não sucedia desde o início da crise da dívida grega em final do ano passado em termos de probabilidade de bancarrota.

A Grécia viu a sua probabilidade de default, segundo a avaliação da firma financeira CMA, passar de 25,4% no início do ano para 28,9% hoje à tarde, tendo passado por um mínimo em 8 de Março. Apesar da solução mista UE/FMI adiantada em 25 de Março, o preço dos cds passou de 308,8 pontos base (pb) nessa data para 392,45 pb hoje à tarde. Se bem que o preço dos cds relativos à Grécia estão abaixo do máximo de 428,36 pb atingido a 4 de Fevereiro, a percepção global de risco de default é hoje maior do que naquela altura.

Grécia poderá testar obrigações em dólares

Para Jens Bastian, economista principal da fundação ELIAMEP, em Atenas, "os desenvolvimentos dos últimos dias mostram que a maioria dos participantes no mercado não estão convencidos nem da capacidade da Grécia sair do pesadelo, nem do pacote combinado UE/FMI".

Bastian advoga que o governo grego "deverá diversificar as suas colocações de obrigações, não só em euros, mas também em dólares, e, deste modo, testar os mercados para saber se, quando as obrigações de dívida são colocadas sem ser em euros, conseguem spreads mais baixos" dos que teve de aceitar nas últimas emissões (6,522% no último caso de obrigações a 10 anos, uma operação que ficou por 40% do pretendido na semana passada). Aliás, fala-se em Atenas que a agência de gestão da dívida se prepara para o fazer denominando em dólares.

Não só a situação grega se tem agravado. Também, os restantes "colegas" do clube designado pejorativamente por PIIGS (acrónimo em inglês para Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), viram as suas probabilidades de bancarrota externa subirem nesta última semana.

Irlanda e Portugal a par

Uma das novidades foi o facto da Irlanda ultrapassar ligeiramente Portugal no risco a 30 de Março, depois de se saber do montante de "lixo tóxico" do sistema financeiro (quase 50% do PIB irlandês anual) com que a nova agência irlandesa (NAMA), na gíria financeira conhecida por bad bank, vai ter de lidar. Segundo a classificação da CMA, publicada hoje, para o final do primeiro trimestre de 2010, Portugal e Irlanda estavam a par no final de Março, em 26º e 27º lugares, com uma probabilidade de bancarrota de 11,7%. Hoje à tarde, a Irlanda ultrapassava ligeiramente Portugal com 12,7% contra 12,6%.

Portugal, no entanto, foi, entre os PIIGS, o país que apresentou o pior desempenho no primeiro trimestre, ao ver agravado em 52.3% o preço dos cds relativos à sua dívida soberana. A notação atribuída pela CMA a Portugal e Irlanda é de bbb+, pior do que a atribuída pelas três agências mais conhecidas (como a Fitch que despromoveu Portugal para o nível AA- em 24 de Março; a Irlanda está, também, em AA-, segundo a Fitch). A CMA atribui à Grécia a notação de bb-, pior do que a atribuída pela Fitch e a S&P (BBB+).

Também, a Espanha e a Itália estão praticamente a par, em 33º e 34º lugares, com probabilidades de default muito mais baixas, na ordem dor 9,8% e 9,6%, respectivamente. Hoje, os dois países apresentam probabilidades de bancarrota de 10,6% e 10,3% e a CMA dá-lhes a notação de a (a Fitch ainda mantém a notação de triplo A para Espanha e de AA- para Itália, similar à de Portugal e Irlanda).

Em pior situação do que Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, estão, na Europa, a Ucrânia (4º lugar do clube dos 10 mais), Grécia, Islândia, Letónia, Lituânia, Roménia, Bulgária, Croácia, Hungria e Rússia. No Mediterrâneo e Médio Oriente, o Iraque, Dubai, Egipto, Líbano, Bahrein e Turquia têm probabilidades de bancarrota mais elevadas do que os quatro acima referidos.

Um caso de desempenho espectacular na Europa foi a Estónia que melhorou em 50% a sua posição, tendo invertido o preço dos cds de 186,3 pb no início do ano para 91,4 pb no final de Março, segundo a classificação publicada hoje pela CMA para o 1º trimestre de 2009.

Por seu lado, apesar de continuar no clube dos 10 de maior risco, a Letónia, fruto do programa do FMI, melhorou a sua posição em mais de 30%, descendo do 8º lugar para o 10º.