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Grécia quer acordo sobre a dívida até ao "fim de maio"

Yanis Varoufakis foi a Paris explicar a ao seu homólogo Michel Sapin o plano do governo grego para sair da crise

Etienne Laurent/EPA

O novo ministro das Finanças grego recebeu o apoio do hómologo francês. Paris está disponível para ajudar o governo da Grécia a chegar a um entendimento com os parceiros internacionais. Mas nada de perdão da dívida grega. Varoufakis e Tsipras estão em périplo pela Europa, em busca de apoios.

Expresso, com Lusa

Até ao fim de maio. É este o prazo que o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, estabelece para chegar a um "acordo global" com os parceiros europeus sobre a situação financeira da Grécia. Até lá, "não serão pedidos novos empréstimos", afirmou este domingo o governante grego, à saída de uma reunião com o seu homólogo francês Michel Sapin.

Na visita que fez a Paris, o grego aproveitou para pedir tempo para explicar os objetivos do seu governo à Europa. Até ao fim de fevereiro, assevera, deverão ser apresentadas as propostas sobre a dívida grega. "Depois disso, num prazo de um mês, no máximo seis semanas, poderemos chegar a um acordo", defende. O entendimento global deverá chegar em maio.

O pagamento da dívida, continua Varoufakis, deve estar dependente do crescimento da economia grega. "Parecemos um toxicodependente viciado em endividamento. O objetivo deste governo é acabar com essa adição", acrescentou, em declarações feitas durante a sua primeira visita oficial enquanto ministro das Finanças.

Numa conferência de imprensa conjunta, após reunião com o ministro das Finanças francês, o grego recebeu apoio público do seu hómologo. "França está mais do que preparada para apoiar a Grécia", assumiu Michel Sapin. "A Grécia precisa de tempo para pôr as suas políticas a funcionar", continuou o francês. Mas logo referiu: está completamente "fora de questão" um perdão da dívida grega. E instou Atenas a continuar com o pacote de reformas necessário à recuperação da sua economia.

A mensagem não deverá ser muito diferente da de Roma e de Londres, os destinos que seguem esta semana na agenda do ministro das Finanças grego.

Governo grego em viagem em busca de mais apoios

Na mesma conferência, Varoufakis afirmou que quer ir em breve a Berlim, sede do governo alemão, e a Frankfurt, sede do Banco Central Europeu, para explicar a posição de Atenas sobre a dívida.

"Estou desejoso de ir a Berlim, Hensínquia, Bratislava, Madrid, Frankfurt", disse. "Claro que irei a Berlim" para um encontro com o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse noutra fase da conferência de imprensa, precisando que essa visita "é essencial" dada a importância da Alemanha na Europa. Referiu mesmo já ter recebido uma "amável" carta do ministro alemão, à qual respondeu prontamente, contou. É expectável que, ainda durante esta segunda-feira seja divulgada uma data para o encontro entre os responsáveis das Finanças grego e alemão.

Entretanto, também o novo primeiro-ministro grego anda em périplo pela Europa. , Alexis Tsipras chegou esta manhã a Chipre na sua primeira visita oficial como chefe do Governo. Seguem-se visitas a Itália e França.

Tsipras foi recebido no aeroporto de Larnaca pelo ministro de Assuntos Exteriores, Ioannis Kassulidis, e posteriormente vai reunir-se, em Nicósia, com o Presidente, Nikos Anastasiadis, um encontro bilateral que deverá terminar com uma conferência conjunta.

A reunião deverá estar centrada em temas bilaterais e europeus, assim como a postura dos Governos em relação à Turquia.

O Chipre está dividido em duas partes desde 1974, data em que o norte foi invadido pelo exército turco, na sequência de um golpe de Estado dos cipriotas-gregos nacionalistas que pretendiam integrar a ilha na Grécia.

Entre outras iniciativas, Tsipras tem previstos encontros com autoridades e organizações locais, e vai discursar no Parlamento.

Na terça-feira, o primeiro-ministro grego vai visitar o campo onde estão sepultados os mortos durante a invasão turca em 1974, incluindo um elevado número de militares gregos, e o regimento grego destacado na ilha desde 1960, ano da independência de Chipre.