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Grécia. Maria Luís diz que está tudo igual, Dijsselbloem avisa que "não há tempo a perder"

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EPA

Reunião do Eurogrupo com Varoufakis serviu para fazer um "ponto de situação", diz a ministra portuguesa, que recusou entrar em polémicas com o facto de não ter existido um cumprimento diplomático com o seu homólogo grego. O encontro do Eurogrupo não serviu para discussões, mas de Bruxelas saiu um alerta: as negociações têm de arrancar esta quarta-feira.

Raquel Pinto e Susana Frexes, correspondente em Bruxelas

"Estamos no mesmo ponto de situação que estávamos a 20 de fevereiro", revelou Maria Luís Albuquerque numa conferência de imprensa ao final da  tarde desta segunda-feira. A reunião do Eurogrupo com Yanis Varoufakis serviu para fazer "meramente" um balanço, sem que tenha havido qualquer discussão de "substância" com a Grécia e o seu programa de reformas. Dali apenas saiu o aviso de que é preciso avançar e a decisão de retomar na quarta-feira as negociações na capital belga e da política europeia. 

Antes das declarações da ministra portuguesa das Finanças, o presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem afirmava ter sido uma curta discussão com a Grécia e que "não há mais tempo a perder". O processo já deveria estar em andamento depois do acordo alcançado a 20 de fevereiro e as equipas técnicas das instituições (troika) "são bem vindas" em Atenas para a avaliação das reformas.

Maria Luís Albuquerque acrescentava que "haverá discussões em Bruxelas" como é normal, mas também "haverá em Atenas". 

Questionada pela ausência de cumprimentos entre si e Yanis Varoufakis, Maria Luís Albuquerque referiu, por duas vezes, que "não há nada para esclarecer" afastando qualquer hipótese de polémicas perante a insistência dos jornalistas, já depois de as imagens terem mostrado Luis de Guindos a dar um abraço ao ministro grego. O ministro espanhol da Economia quebrou o gelo após duas semanas de crispação entre a Grécia e os Governos espanhol e português, a quem Varoufakis e o chefe do Executivo grego Alexis Tsipras acusaram de terem blindado as negociações com o Eurogrupo quanto à extensão do resgate, formando um "eixo ibérico de poder" contra Atenas e motivado por questões políticas com o intuito de derrubarem o Syriza, o partido anti-austeridade no poder desde 25 de janeiro. Portugal e Espanha queixaram-se à Comissão Europeia e ao Conselho Europeu. 

"Não se proporcionou falarmos, já havia muita gente na sala. Houve vários outros ministros que não tive oportunidade de cumprimentar", foi a justificação de Maria Luís. Fonte no interior da sala tinha explicado anteriormente ao Expresso que os lugares destinados a Portugal e Espanha encontravam-se em lados opostos da mesa. Quando Varoufakis entrou, a ministra já estava na sala, junto ao seu lugar, e o ministro grego foi diretamente para o dele, sem passar pela cadeira de Maria Luís.

Em relações às reformas da Grécia, em que ponto Portugal está quanto à abertura de flexibilidade? A ministra responde que as "decisões no Eurogrupo são sempre tomadas por consenso. Portanto, o que conta é a posição dos 19 países".

Deixou-se de usar o termo troika para agradar aos gregos?

A questão do uso da terminologia troika, que parece ter desaparecido  propositadamente para o problema da Grécia também foi abordada. Será para agradar a gregos ou houve um consenso no eurogrupo quanto à expressão? Maria Luís diz: "nós falamos nas instituições europeias, no Fundo Monetário Internacional, no Banco Central Europeu. Mas na troika não?, questiona um dos jornalistas. Maria Luís responde sem se alargar em mais esclarecimentos: "É uma expressão mais curta mas falamos das instituições".  

À margem de tensões, a mensagem de Dijsselbloem tanto à entrada como à saída da reunião foi a mesma e incisiva: já se perdeu demasiado tempo.

Atenas pode ter dinheiro só até ao final de março. A Bloomberg, que cita fonte da União Europeia, avançou horas antes da reunião de hoje que as reservas gregas não deverão durar mais do que três semanas.

Numa entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera" publicada no domingo, Varoufakis admitiu dois cenários caso seja chumbada a lista-chave de sete reformas do governo helénico e enviada por carta ao presidente do Eurogrupo Jeroen Disselbloem: novas eleições ou levar a referendo a moeda única e a permanência na zona euro.