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Grécia em risco de falência muito elevado

Os mercados financeiros ligados à dívida soberana continuaram a penalizar Atenas. O risco de bancarrota subiu ontem (7/04) aos 30%, pela primeira vez. Hoje chegou perto dos 33%, tendo ultrapassado o máximo histórico anterior no preço dos credit default swaps sobre a dívida soberana

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

A Grécia ultrapassou ontem (7/04) pela primeira vez a barreira dos 30% de risco de bancarrota, segundo o indicador da CMA Datavision. No fecho dos mercados financeiros dos credit default swaps (cds) ligados à dívida soberana, Atenas atingiu ontem (7/04) uma probabilidade de incumprimento da dívida de 30,07%, o que consolida o seu quinto lugar no clube dos de maior risco de bancarrota do mundo. Nesse clube estrito de candidatos ao default, a Grécia encontra como "colegas" a Venezuela (actualmente com 45,79% de risco de falência), Argentina (45,12%), Paquistão (38,64%) e Ucrânia (35,34%).

Uma situação impensável, há seis meses atrás, para um país da zona euro que se vê, assim, colocado ao nível de países com a pior fama em matéria de incumprimento de obrigações ligadas à dívida externa.

Coincidência de agenda

Por ironia das coincidências de agenda, uma equipa do Fundo Monetário Internacional aterrou ontem em Atenas para uma missão de ajuda técnica durante duas semanas em matéria de "acompanhamento de execução orçamental". Uma outra missão deverá chegar em Maio para averiguar da execução do plano de austeridade.

A Grécia, apesar de não ter atingido ainda o máximo histórico de 4 de Fevereiro no preço dos cds (então de 426,38 pontos base), ultrapassou largamente o grau de probabilidade de default que em Fevereiro havia atingido, quando ainda se encontrava abaixo de situações mais graves como as do Iraque, Dubai, Letónia e Islândia. Ora, desde 1 de Abril, o grau de risco grego passou dos 26% para os 30% e a Grécia ultrapassou o próprio Iraque, então o quinto passageiro do clube dos de maior risco.

Sintoma desta situação dramática, a bolsa ateniense há dois dias que apresenta quedas significativas.

Passar a país "emergente"

A desconfiança sobre a capacidade de cumprimento das obrigações da dívida por parte da Grécia - e mesmo a multiplicação de declarações de opinadores financeiros com influência mundial declarando que Atenas caminha inexoravelmente para a bancarrota - advém das dúvidas sobre as decisões tomadas na última cimeira de Bruxelas quanto ao mecanismo de emergência, bem como sobre até onde poderão ir as exigências do FMI em termos de agravamento do plano de austeridade, no caso do governo grego recorrer ao seu apoio financeiro. Na verdade, os empréstimos do FMI poderão ter taxas de juro entre 1,25% e 3,25% muito abaixo dos 6% a 6,5% que a Alemanha quer impor no caso de recurso a países da zona euro.

Entretanto correm rumores de que Atenas lançará uma emissão de obrigações denominadas em dólares até ao final de Abril e que o ministro grego das Finanças, George Papaconstantinou deverá deslocar-se aos Estados Unidos na semana de 19 de Abril. Nessa incursão além-Atlântico, a Grécia deverá apresentar uma nova estratégia junto dos fundos de investimento como país "emergente".









Entretanto, a turbulência que envolve a Grécia, país da zona euro, está a "puxar" pelos outros quatro PIIGS (designação pejorativa em inglês para o grupo Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) da moeda única.

A acompanhar o movimento de subida da Grécia, o preço dos cds sobre a dívida soberana a 5 anos da Irlanda, Espanha e Itália subiu significativamente ontem (7/04). O preço dos cds da Irlanda subiu para os 160 pontos base (pb), com Portugal ligeiramente acima (próximo dos 163 pb), e no caso de Espanha subiu para os 131 pb e de Itália para os 128 pb. No caso da Irlanda, a causa "próxima" foi o choque provocado pelo conhecimento de que o "lixo tóxico" do sistema financeiro deverá ascender a quase 50% do PIB anual do país. A situação portuguesa agravou-se hoje (a meio do dia estava nos 176 pb), tendo-se destacado da Irlanda.

Entre os bancos europeus, o banco português BCP viu o preço dos seus cds subir para 181,56 pb, num dos movimentos mais altos do dia de ontem.