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Granadeiro: "O BES fez cair a PT". E a confissão: "Destruiu a minha carreira"

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FOTO MARCOS BORGA

Henrique Granadeiro, ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao colapso do BES, afirma ainda que "não havia lá [conselho de administração da PT] pessoas que mandam e outras que abanavam a cabeça".

Anabela Campos

"O que aconteceu foi o pior que podia ter acontecido à minha carreira. Destruiu a minha carreira", afirmou esta quarta-feira Henrique Granadeiro, a propósito do investimento de 897 milhões da PT em dívida do GES - valor que nunca foi reembolsado. "No fim, não foi a PT que fez cair o BES, foi o BES que fez cair a PT", sublinhou.

Mais tarde, Granadeiro, acrescentou: "O maior erro estratégico que cometi na vida foi ter partilhado a responsabilidade numa comissão executiva que também dependia em pleno de outro presidente (Zeinal Bava".

O ex-presidente da PT SGPS admite que só deu conta que o grupo Espírito Santo poderia ter problemas quando no âmbito do aumento de capital do BES, em junho de 2014, leu os riscos que estavam no prospecto da operação. Nessa altura, o deputado do PS, Pedro Nuno Santos, pergunta-lhe se, tal como Zeinal Bava, também não lia jornais e não se não li o Expresso. Granadeiro responde que havia nessa altura muitos rumores. "Eu não só leio os jornais, como sei como se fazem os jornais", disse. E acrescentou: "O Expresso, o Sol e o I traziam notícias sobre o BES (...) Prefiro dar mais valor a quem governa o país do que ao que vem nos jornais", diz Granadeiro. 

O BES era muito activo 

"O papel do BES era o de um acionista de referência, muito activo no acompanhamento da gestão, e que se envolvia imenso. Qualquer um dos dois administradores do BES na PT [Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes] são grandes gestores", diz Henrique Granadeiro, ex-presidente da PT SGPS, em resposta ao deputado do PS. Mas acrescenta: "Não havia lá pessoas que mandam e outras que abanavam a cabeça".

"A ideia que o conselho de administração era uma marioneta é errada", diz Henrique Granadeiro, que foi presidente do conselho de administração da PT entre 2008 e 2013. O gestor respondia assim à insinuação de que o BES mandava no conselho de administração. 

Granadeiro diz que a Ongoing, um dos grandes acionistas da PT, "era igualmente ativo", mas, dado o relacionamento histórico, o BES era mais ativo.  

Henrique Granadeiro esclareceu ainda que em junho de 2014 não disse que a Oi estaria a par da aplicação de 897 milhões de euros da Rioforte, porque acreditava que a fusão era o melhor projeto para a PT e que se o dissesse iria entrar num processo de litigância com os acionistas brasileiros e isso seria prejudicial para a operadora portuguesa. Depois, quando percebeu que a PT Portugal iria ser vendida, decidiu dizer. 

A decisão da PT SGSP e a Oi venderem a PT Portugal à Altice foi "uma traição", considerou Henrique Granadeiro.