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Granadeiro jura por Deus e aponta raiz dos problemas na coliderança com Zeinal

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FOTO MARCOS BORGA

"Uma Comissão Executiva, dois presidentes." Henrique Granadeiro, ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao colapso do BES, diz que o facto de o universo PT ter passado a ter dois presidentes terá estado na origem dos problemas relacionados com o papel comercial do GES.

Pedro Santos Guerreiro e Anabela Campos

O ex-presidente da Portugal Telecom entrou na comissão parlamentar de inquérito começando por dizer que falaria no sentido de contribuir para o apuramento da verdade. E jurou por Deus.

"Quero deixar claro que o faço por juramento, no sentido que isso tem para a minha confissão religiosa", bem como para as minhas crenças republicanas, começou por afirmar Henrique Granadeiro, que é católico, no início da sua intervenção lida esta quarta-feira de tarde na Assembleia da República.

Granadeiro relembrou que substituiu Zeinal Bava enquanto presidente executivo da PT (antes era apenas presidente do Conselho de Administração, ou "chairman", tendo depois passado a acumular os cargos). Essa substituição foi feita quando Zeinal Bava passou a ser presidente executivo da Oi, no âmbito do processo de fusão das duas operadoras, que foi anunciada no final de 2013.

Granadeiro afirmou que na prática "o universo da Portugal Telecom" passou a ter dois presidentes (ele próprio na PT e Zeinal Bava na Oi), o que terá estado na origem dos problemas, disse. Os problemas são, recorde-se, a subscrição e renovação de papel comercial do Grupo Espírito Santo (nomeadamente da empresa RioForte), no valor total de 897 milhões de euros. Este investimento acabou por revelar-se ruinoso, levando a um forte prejuízo na PT que acabou por ter efeitos dramáticos na empresa, levando ao fim da fusão com a Oi, que acabou por vender a própria PT Portugal.



Granadeiro lembrou que a comissão executiva  que passou a liderar era constituída pela equipa anterior, isto é, por Zeinal Bava. Estas declarações apontam no sentido de que Granadeiro envolve Zeinal Bava na culpa sobre estes investimentos, o que Zeinal sempre negou.

"A Comissão executiva da PT SGPS e da PT Portugal eram idênticas", disse Granadeiro. "Uma comissão executiva, dois presidentes". E Zeinal Bava "tinha o encargo específico de facilitar o processo de fusão".