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Growth Vs Value… Qual a melhor estratégia para 2016?

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Conseguir prever o futuro comportamento dos mercados acionistas, escolher a melhor estratégia de investimento e as ações que deverão apresentar os melhores retornos é sempre uma tarefa desafiante e nunca isenta de risco. Assim, coloca-se a questão: Qual a melhor estratégia de investimento para 2016? Centrando a análise na eterna disputa entre as estratégias “growth” e “value” (que, em português, podemos designar de estratégias de crescimento e valor, respetivamente), podemos concluir que em 2015 a estratégia “growth” saiu vencedora!

Na Europa, o MSCI Europe Growth Index fechou 2015 com uma subida de 13,7% face ao retrocesso do MSCI Europe Value de -2,7%, o que se traduz numa vantagem de 16,4 pontos percentuais. Considerando um maior horizonte temporal, um prazo de 10 anos, o retorno anualizado gerado pelo MSCI Europe Growth é de 4% face aos -1,8% conseguidos pelo MSCI Europe Value, o que se traduz numa vantagem de quase 6 p.p. do estilo “growth” face ao seu antagónico “value”.

Ao nível dos fundos de investimento, foram, igualmente, as grandes empresas enquadradas no estilo “growth” as que registaram um maior destaque. De acordo com informação divulgada pela Morningstar (empresa especializada na divulgação de dados e estudos sobre fundos de investimento), entre os 10 fundos mais rentáveis em 2015 que investem em grandes capitalizadas, não se identifica nenhum fundo que se dedique às empresas “value”.

Será que a supremacia da estratégia “growth” face ao “value” irá permanecer em 2016?

O que diferencia ambas as estratégias?

Antes de mais, importa compreender em que consiste cada uma e quais as principais características que levam a que as empresas sejam integradas numa ou noutra estratégia. De forma muito simples, poderá dizer-se que a estratégia de valor (“value”) procura investir em ações consideradas “baratas”, na medida em que se procura, acima de tudo, comprar ações de empresas cujo valor intrínseco seja, na opinião dos analistas, superior à sua cotação em bolsa. Assim, o investidor procura identificar empresas com baixos rácios price-to-book (P/B) e price-to-earnings (P/E) e que tenham demonstrado boa capacidade de retorno para o acionista. Por norma, trata-se de empresas que tendem a evidenciar um comportamento de menor risco, menor volatilidade e valorizações mais ajustadas com a média dos mercados e que, por isso, se incluem nos ditos setores mais tradicionais, como os setores energético, financeiro e utilities, que, pela sua natureza, tendem a revelar menores oportunidades de crescimento.

Para os investidores que procuram empresas que tenham um forte potencial de crescimento nos resultados e que, por norma, não distribuem dividendos canalizando os lucros para o seu crescimento, a estratégia “growth”é a mais indicada. Estas empresas têm, por norma, mais risco do que as empresas de “valor”, maior volatilidade nas suas cotações e, consequentemente, grandes amplitudes no seu retorno. Tipicamente são empresas dos setores tecnológicos que face aos desafios permanentes da inovação, revelam maior potencial de crescimento.

Retorno histórico:“value” supera “growth”

Através da análise do gráfico 1, que representa o retorno anualizado a cinco anos de uma carteira de investimento hipotética (value vs growth portfolio), verifica-se que sempre que a linha do gráfico se situa acima da linha a tracejado, correspondente a 0%, o retorno das ações de “valor” superou (“outperform”) o retorno das ações de “crescimento” e vice-versa – Estudo efetuado com base em dados extraídos do site Kenneth R. French’s e que representa a evolução da performance correspondente a 20% das empresas menos “caras”(“value”) em comparação com a performance de 20% das empresas mais caras (“growth”).

A conclusão é que as ações “value” superaram as “growth” na maioria dos períodos cíclicos de cinco anos analisados, a uma taxa anualizada de, aproximadamente, 5% no período em análise. Também se verifica que desde a Segunda Guerra Mundial se registaram, apenas, seis períodos distintos em que a estratégia “growth” superou a “value” e que nos encontramos, precisamente, numa dessas fases, sendo que a última tinha ocorrido durante a denominada era dot-com.

Outra conclusão a retirar, e que se encontra bem ilustrada no gráfico 2, consiste no facto de todos os períodos em que a estratégia “growth” superou a “value” foram seguidos por períodos de forte valorização das ações “value”, que se traduziram em valorizações médias superiores a 50% nos cinco anos seguintes.

Tendo terminado em 2015 mais um ciclo de cinco anos, será que 2016 marcará o “rebound” das ações “value”? Se tal a acontecer, será que o padrão de valorizações superiores a 50% nos próximos cinco anos se irá manter?

Mais uma vez, e à luz dos padrões cíclicos anteriores, tudo irá depender, entre outros fatores, da própria evolução da economia. A história ensina-nos que as ações “value” apresentam um melhor desempenho nos períodos de desaceleração económica e a própria subida dos juros por parte da Reserva Federal norte-americana (FED) poderá ser um argumento adicional a seu favor: taxas mais altas tende a corresponder a um maior retorno para os bancos com os juros dos empréstimos. Por sua vez, boas notícias para as ações do setor financeiro tendem a traduzir-se em boas notícias para estratégia “value”já que cerca de 30% do índice Russell 1000 Value é composto por ações do setor financeiro ao invés do índice Russell 1000 Growth cuja exposição a esse setor é inferior a 6%. Em suma, estamos na presença de indicadores importantes que podem ajudar a interpretar os tempos que se avizinham!