Siga-nos

Perfil

GIC - Global Investment Challenge

Best

O efeito janeiro nas bolsas

  • 333

O famoso efeito janeiro nas bolsas tem intrigado académicos e analistas ao longo dos anos.

Apesar de ser um fenómeno atribuído à generalidade dos principais mercados bolsistas, tem vindo a evidenciar maior relevância nos Estados Unidos da América.

Em que é que consiste tal efeito? Através de vários estudos académicos concluiu-se que no fim de cada ano os investidores tendem a evidenciar determinados comportamentos que contribuem para que no primeiro mês do ano seguinte as bolsas registem valorizações acima da média: fenómeno que se tem verificado, com alguma consistência, desde a década de 1940. Além disso, através da análise de séries cronológicas longas concluiu-se que, em média, quando janeiro é um bom mês para as bolsas, o mesmo se verifica nos restantes meses do ano. Essa tendência verificou-se em 78 dos últimos 86 anos.

A fazer fé neste comportamento cíclico e atendendo ao pior início de ano, desde a crise financeira de 2008, nas principais bolsas mundiais, o cenário para o resto do ano não será o mais otimista... a não ser que se assista a uma forte inversão nos próximos dias!

No estudo “The January Effect - A New Piece for an Old Puzzle”, de 2008 (FINK, J., FINK, K., GODBEY, J.), académicos americanos exploram a evidência em relação a janeiros tendencialmente mais prósperos, concluindo que o fenómeno tende a ser mais expressivo junto de small-caps e startup´s, ou seja, junto de empresas de tamanho ainda incipiente e empresas de tenra idade.

O pagamento dos dividendos de final de ano e até bónus pagos aos investidores podem explicar parte deste fenómeno, bem como o próprio efeito fiscal: os investidores têm a possibilidade de registar perdas fiscais decorrentes da venda das suas ações em carteira no fim do ano, utilizando a respetiva perda nos seus impostos, e voltarem a comprar os títulos em janeiro. Tal provoca, tendencialmente, uma forte subida das empresas de pequena capitalização devido à sua menor liquidez.

Outra constatação é que o próprio efeito de janeiro começa cada vez mais cedo. Segundo um estudo levado a cabo por Ned Davis, que analisou durante 26 anos o mercado norte-americano, as ações Small Caps (Pequenas capitalizações bolsistas) costumam ter rendibilidades superiores a partir de meados do mês de dezembro, efeito que, geralmente, se mantém até ao mês de fevereiro.

A ser um fenómeno profundamente estudado nos EUA e com os resultados publicamente conhecidos, resta saber se idêntico fenómeno também se verifica nos mercados emergentes? Dos poucos estudos divulgados, tudo indica que se trata de um fenómeno típico dos mercados desenvolvidos. Um estudo efetuado aos retornos médios mensais do Ibovespa de 1968 a 2011 concluiu que, para essa bolsa específica, não se verifica, historicamente, qualquer performance especial no mês de janeiro face aos restantes meses do ano.

Em suma, a realidade é que o denominado efeito janeiro nem sempre se verifica e, não raras vezes, as bolsas registam quedas abruptas nesse mês, tal como se tem vindo a verificar este ano.

Mais do que qualquer fenómeno oculto localizado no tempo e com efeito de contágio sobre os restantes meses do ano, a prática de mercado ensina-nos que, acima de tudo, a sua performance dependerá do próprio sentimento de mercado e das estimativas dos analistas para o ano em causa: expectativas de aumento de lucros por parte das empresas e um aumento da inclinação da curva de rendimentos tendem a traduzir-se num maior nível de retorno e vice-versa.