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Commodities: Será que os preços já bateram no fundo?

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2015 foi um Annus Horribilis para as commodities.

O preço do barril de petróleo encerrou o ano com uma queda de 35%, traduzindo-se numa queda acumulada superior a 65% desde 2014, renovando, recentemente, mínimos de 2003 ao transacionar abaixo dos 27 dólares por barril.

O ouro perdeu cerca de 10%, o que se traduz no 3º ano consecutivo de quedas após ter registado valorizações durante 12 anos seguidos, conseguidos à conta do estatuto de valor-refúgio que lhe tem sido associado quando os investidores procuram alternativas aos mercados financeiros. A prata, que acompanha habitualmente o movimento do ouro, perdeu 11,6% no acumulado do ano ao fixar-se abaixo dos 14 dólares e os preços da platina afundaram no contexto do escândalo das emissões que atingiu a Volkswagen e nem a retoma das vendas automóveis na China foi suficiente para compensar a platina, que caiu 26,5% no acumulado do ano. O mesmo se verificou com o paládio que, no ano passado, recuou 30%.

Os principais metais de base – cobre, alumínio, zinco, níquel, estanho e chumbo – foram, igualmente, penalizados pela queda da procura, muito à conta da desaceleração económica na China, tendo registado descidas generalizadas no mercado londrino (London Metal Exchange).

No conjunto do ano, os preços do cobre caíram 25%, o alumínio perdeu 17,5% e o níquel foi o que mais caiu de entre todas as matérias-primas que integram o índice de commodities da Bloomberg.

2016 marcará a retoma das commodities?

No último ano as commodities foram um ativo a evitar. Será que chegou o momento de se repensar a estratégia em relação a esta classe de ativos?

A opinião não é unânime entre a generalidade dos analistas e casas de investimento.

Se há quem aponte a inversão da tendência de descida para o segundo semestre do ano, há também quem defenda a manutenção do movimento de queda de preços seguido de um processo de estabilização. Em última análise, a evolução das cotações das matérias-primas irá depender da evolução dos principais indicadores económicos mundiais, dos fatores geopolíticos e, em particular, do próprio ritmo da atividade económica da China que neste momento, atravessa um processo de transição com maior contributo dos serviços em detrimento de uma menor atividade do setor manufatureiro.

Assumindo a neutralidade do efeito conjunto de todas essas variáveis e através de uma análise aos comportamentos cíclicos dos preços das matérias-primas, podemos identificar períodos cíclicos médios de 55 anos que têm sido, transversalmente, marcados por diversas crises geopolíticas.

Inevitavelmente, e pelos constrangimentos decorrentes dessas crises, os preços das matérias-primas tornam-se mais voláteis, já que um mero conflito militar em determinada zona geográfica pode determinar a interrupção do transporte de uma matéria-prima, ou mesmo uma queda abrupta da sua produção com forte impacto na evolução da sua cotação.

Assim, na ausência de uma bola de cristal que nos consiga responder objetivamente à questão inicial formulada, cumpre-nos concluir que o ritmo do crescimento económico mundial, a evolução dos fatores geopolíticos e do nível geral de preços nas principais economias mundiais traduzem-se em importantes drivers a acompanhar sendo que a China será muito relevante.