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A gestão do risco nos mercados acionistas

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Um tema de crucial importância perante a crescente instabilidade no mundo financeiro, relaciona-se com a segurança das aplicações financeiras, tornando o binómio risco/rendibilidade uma das preocupações centrais dos investidores. Sendo o risco uma componente crítica em qualquer processo de alocação de investimentos, coloca-se a questão: em que é que consiste a segurança?

Não existindo uma única resposta que tenha o mesmo significado para todos os investidores, poderá dizer-se que a segurança se traduz na garantia de o investidor recuperar a totalidade do dinheiro aplicado, em termos efetivos (mesmo que possa existir uma perda real do dinheiro investido via efeito da inflação). Ou seja, um investimento seguro será aquele em que pode não haver grandes ganhos mas, pelo menos, também não há perdas.

Assim, o investimento em bolsa é considerado um investimento com risco já que quem investe em ações sabe que não existe certeza sobre a evolução futura das cotações. Na maioria dos casos, o investidor pode reaver o dinheiro a qualquer momento, bastando para tal vender as ações, mas nunca consegue determinar, atempadamente, quanto vai ganhar (risco de rendimento), nem sequer tem a garantia do valor realizado ser superior ao montante aplicado na compra (risco de capital).

Cada ação tem o seu próprio nível de risco associado à atividade operacional da própria empresa, ao setor de atividade em que opera, à conjuntura económica, entre outros fatores, mas o processo de seleção de um conjunto diversificado de ações (aquilo que na gíria financeira se denomina de carteira) poderá ajudar a minimizar os níveis de risco. Ou seja, as perdas de uns títulos tenderão a ser compensados com os ganhos de outros.

Vários estudos académicos apontam mesmo os mercados acionistas como os que mais rendem no longo prazo. Elroy Dimson, Paul Marsh e Mike Staunton, investigadores da London Business School concluíram que as ações mundiais ganharam, em média, 8,6% ao ano, depois de terem estudado um século e uma década de evolução das principais bolsas mundiais.

Para quem se pretenda iniciar neste tipo de investimento, mas tem receio dos riscos associados, existem algumas regras fundamentais que se forem cumpridas ajudam a diminuir o risco.

Risco pode ser minimizado. Como? Diversificando, mesmo!

Numa estratégia simples de minimização do risco associado ao investimento em ações há duas regras fundamentais.

A primeira consiste em diversificar por vários mercados e setores de atividade, porque nem todos os setores são afetados da mesma forma pela conjuntura económica e eventuais perdas numas ações são compensadas por ganhos noutras. Veja-se o exemplo recente do sector petrolífero: quem tinha uma excessiva exposição a este setor, que até apresentava boas perspetivas antes da queda do preço do crude, foi muito penalizado.

A composição de uma carteira de investimento deverá integrar, segundo a opinião corrente dos especialistas, entre 10 a 15 ações de forma abrangente. Neste capítulo, caso essas 10 a 15 ações sejam de um certo país, zona geográfica ou sector, o investidor estará a cumprir a regra do número de títulos. Porém, não está a cumprir a regra de diversificar, de forma abrangente, os seus investimentos. Diversifique, mesmo! Caso não disponha da quantia suficiente que lhe permita esse tipo de diversificação, a opção poderá passar por não investir diretamente em ações e optar pelos fundos de investimento. Além de serem geridos por profissionais, são rápidos de movimentar, diversificados e exigem um menor montante de investimento.

A segunda regra de ouro é investir numa ótica de longo prazo. No curto prazo a evolução das bolsas é imprevisível, mas a longo prazo as flutuações bolsistas de curto prazo tendem a esbater-se. Dados históricos comprovam que a longo prazo, o investimento em ações é mais rentável do que as aplicações sem risco. Através da análise de séries cronológicas longas, verifica-se que o rendimento em ações tenderá a rondar a taxa média de crescimento da economia e se lhe incorporarmos o crescimento dos dividendos divulgados regularmente pelas empresas cotadas, pode chegar-se a um rendimento anual médio de 7 a 8% (prémio de risco histórico do mercado de ações). Porém, esta análise histórica de longo prazo, não poderá ser entendida como uma certeza e garantia para lógicas temporais mais reduzidas ou inclusivamente a médio prazo. No entanto, é sempre conveniente acompanhar de forma regular os seus investimentos de forma a compreender as variáveis que estão a condicionar a sua evolução.

Não invista o dinheiro de que precisa

Um dos princípios básicos consiste em só investir em ações uma parte das suas poupanças e apenas o dinheiro que tem a certeza de que não irá precisar no curto prazo. Outra regra importante, para quem se está a iniciar neste tipo de investimento, é nunca investir o dinheiro que não se tem, isto é, nunca se endividar para comprar ações. Dessa forma, aumentaria significativamente o risco de perder dinheiro, já que teria de suportar também os juros do crédito, que podem anular parcial ou totalmente os eventuais ganhos da carteira de ações. Além de que, no final, terá de liquidar o próprio empréstimo. O investimento em ativos de risco com recurso a alavancagem deverá ser realizado por investidores experientes e conhecedores dos mercados financeiros. É certo que poderá ampliar os ganhos, mas, ao mesmo tempo, poderá ampliar as perdas.

Respeite o seu perfil de risco

Antes de iniciar o seu investimento em bolsa, pergunte a si próprio quanto dinheiro está disposto a perder, defina a sua abordagem de investimento, seja disciplinado e acima de tudo descubra qual é o seu perfil de risco: de conservador a agressivo.

Não invista em produtos ou empresas que não conhece. Uma das lições que a história nos ensinou é que não se deixe levar por conselhos de amigos, familiares, vizinhos ou colegas. Quando a bolha das tulipas rebentou em 1637, muitos comerciantes que se limitaram a seguir o que se dizia na época, e que chegaram a pagar mais de 60 mil euros a preços de hoje por uma flor, perderam mais de 90% dos seus investimentos. A irracionalidade do mercado é uma constante e estar informado, saber interpretar as notícias, e ser disciplinado quanto à estratégia de investimento é fundamental. Mas nunca invista sem saber o que está a fazer. Nesses casos, deve pedir ajuda aos profissionais do setor.