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Erros de curto prazo com impacto no longo prazo

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woaiss

Quando o ritmo das subidas e descidas dos mercados de ações se acentua, aumenta o nível de inquietação dos investidores. Neste caso, é necessário ter nervos de aço e alicerçar os fundamentos para o investimento a longo prazo.

Quando o impacto das descidas do dia-a-dia das bolsas não é compensado com as subidas de curto prazo, o receio dos investidores aumenta, podendo originar a tomada de decisões precipitadas e muitas vezes incorretas, uma vez que podem aumentar ainda mais as perdas, tendo em consideração o objetivo de investimento inicialmente definido.

A evolução recente dos mercados de ações comprova isto mesmo. Veja-se o comportamento do índice de ações EURONEXT 100 que agrega as maiores empresas do universo EURONEXT (França, Holanda, Bélgica e Portugal): na sequência da “tempestade de Verão” de 2016, no mês de agosto, o índice EURONEXT100 registou uma desvalorização de 8,8%. No mês seguinte, em setembro, acentuou a quebra e registou uma descida de 4,7%. No entanto, em outubro e novembro, as valorizações mensais foram de 9,7% e 2,1%, respetivamente. Assim, um investidor que tenha optado por rever antecipadamente os seus objetivos de investimento fruto das descidas observadas em agosto e setembro, abdicou da recuperação registada nos dois meses seguintes.

É certo que perante o aumento da volatilidade pode haver a tentação de atuar. Contudo, um investidor não conseguirá prever os movimentos dos mercados acionistas em prazos tão curtos e, como tal, adotar estratégias que visem a maximização de retorno (ou minimização de perdas) num horizonte temporal desta reduzida dimensão é uma abordagem que tem tanto de difícil como de incorreta numa perspetiva das premissas teóricas do investimento em ativos de risco.

Assim, há dois tipos de erros que definem quase como padrão, dois tipos de posturas dos investidores: o pânico, o “erro vendedor”; e a tentativa de aproveitar o momento para registar ganhos de curto prazo, o “erro comprador”. Ambos implicam estratégias que vão contra a ideia de investimento no longo prazo, assente em análises fundamentais macro e microeconómicas, pois implicam que o investidor está a prestar maior atenção ao ruído do que a algo concreto, como por exemplo o crescimento económico de um país ou perspetivas de lucros futuros de uma empresa.

O “erro vendedor” pressupõe que o investidor, persuadido pelo ruído, vende as ações depois de uma queda, ignorando os motivos que, anteriormente, o levaram a comprar a ação e, como tal, alienando um ativo que pode ter potencial em prazos mais alargados – pelo menos o investidor assim o considerava antes de o aumento da volatilidade de curto prazo.

O “erro comprador” pressupõe que o investidor, também persuadido pelo ruído e a tentativa de obter ganhos de curto prazo, compra uma ação sem intenção de a deter no longo prazo, ficando com um ativo em carteira para o qual não tem fundamento analítico nem aspiração de deter pelo período de tempo aconselhável, que é o longo.

Em qualquer um dos casos, a tomada de decisões para o curto prazo, num momento em que a irracionalidade dos mercados financeiros é elevada, pode induzir a decisões erradas e aumentar o potencial de perdas. O investimento em ativos de risco, como são as ações, deve ser feito no longo prazo, quando existe disponibilidade de liquidez, analisando os fundamentais económicos de longo prazo e não o ruído de curto prazo.