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Happy New Year... Bull Market!

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A expressão “bull market” tem marcado os mercados nos últimos seis anos, de tal modo que se os EUA se guiassem pelo calendário chinês, o ano de 2014 teria sido o do "touro". As praças norte-americanas alcançaram vários recordes sucessivos e este ano já fixaram novos máximos históricos se bem que, nos últimos meses, tenham vindo a perder algum fulgor.

O Nasdaq, o índice das empresas tecnológicas, superou os máximos de 2000. O S&P 500, índice de referência norte-americano, atingiu em 2015 novos máximos históricos, acima dos 2.100 pontos, valorizando mais de 200%, desde o mínimo em 2009, renovando estes máximos históricos por 55 vezes só em 2014. Não obstante, estar estagnado em relação ao fecho do ano passado, ajustando o retorno do índice para euros, as ações norte-americanas registam ganhos superiores a 10% beneficiando da valorização do dólar.

Tudo começou a 9 de março de 2009

Para se contar a história deste "boom" bolsista será necessário recuar no tempo... mais precisamente a 9 de março de 2009. O mundo estava a braços com a pior crise das últimas sete décadas e o S&P 500 fechou a sessão nos 676,53 pontos. Atingia-se o clímax de uma onda massiva de vendas, que durou 16 meses, e que "roubou" mais de metade do valor à generalidade das empresas cotadas nesse índice. Desde esse malogrado dia, o índice S&P 500 valorizou mais de 200%, o melhor desempenho desde a euforia das "dotcom" (junho 1996 a junho de 2000).

Através da análise de períodos cíclicos anteriores, pode-se afirmar que estamos na presença de um dos mais duradouros períodos de bull market da história da bolsa. O tempo médio de duração de um período de bull market, desde 1928, é de 57 meses. O atual já dura há mais de 80 meses e apresenta uma valorização de cerca de 200%, quando a média de valorização de todos os ciclos de subida anteriores é de 165%.

Fenómeno raro

O denominado super bull market caracteriza-se por ser um fenómeno raro na história das bolsas. Consiste num período, muito prolongado, de subidas generalizadas das cotações, fundamentalmente impulsionado por importantes inovações tecnológicas capazes de induzir mudanças no estilo de vida das respetivas populações. Desde a Segunda Guerra Mundial, estamos na presença do 4.º maior super bull market da

história dos mercados americanos. Fazendo uma análise histórica à evolução do mercado de ações dos EUA, entre 1949 e 1961 o índice Dow Jones Industrial Average subiu mais de 350%. Entre 1982 e 1987, num espaço de apenas cinco anos, o mercado de ações americano subiu 250%. Mais recentemente, entre 1990 e 2000, as ações americanas valorizaram-se cerca de 400%.

De todos esses períodos de forte "boom" bolsita, o mais duradouro foi o que se iniciou em 1949 e terminou, considerando a evolução do índice Dow Jones Industrial Average, em 1961. Ao registar uma valorização de 354%, ao longo de 150 meses, poderá ser considerado o maior período de bull market da história dos EUA. Já em 1982 inicia-se aquele que ficou conhecido por Reagan Bull Market em que o referido índice, impulsionado por uma política de forte cunho liberal, valorizou 250% em apenas cinco anos.

Mais recentemente, em 1990 iniciou-se o terceiro super bull market: impulsionado pela massificação dos computadores, da robótica e pela automatização de muitos processos industriais e do próprio quotidiano social. Este período durou 9,3 anos e terminou em 2000 com o rebentar da bolha das "dotcom".

Poderá festejar sete primaveras?

A resposta será sempre uma incerteza, mas muito do resultado poderá estar na própria política da FED. Em função da evolução dos indicadores económicos poderá assistir-se, para breve, a um aumento das taxas de juro com o propósito de precaver qualquer efeito "bolha". Em última análise, tudo irá depender do crescimento da economia, da evolução do preço do crude, da política monetária prosseguida pela FED, do evoluir da instabilidade no médio oriente, das próprias relações com a Rússia e de muitas outras variáveis que possam afetar, direta ou indiretamente, o comportamento das bolsas mundiais.