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Aprender a investir com Warren Buffet

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Tudo o que diga respeito a Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo, com 72,7 mil milhões de dólares de património, de acordo com o último ranking publicado pela revista Forbes, e um dos mais bem-sucedidos gestores de recursos do planeta, desperta a curiosidade mesmo daqueles que não são investidores. As regras com que pautou, desde sempre, a sua estratégia de investimento, tornaram-se autênticos mandamentos bíblicos.

Uma das suas principais regras começou a materializar-se logo no seu primeiro investimento: "A primeira regra é não perder dinheiro. A segunda regra é nunca esquecer a primeira regra".

O seu primeiro contacto com o mundo da bolsa aconteceu aos 11 anos, através da compra de três ações preferenciais da Cities Service Preferred a 38 dólares cada. Esse investimento, que fez em conjunto com a sua irmã Doris, parecia destinado ao fracasso. Logo após a compra, o valor das ações caiu para 27 dólares. Assustado, mas com paciência, aplicou aquela que viria a ser a sua primeira regra e esperou que as ações recuperassem. Acabou por as vender a 40 dólares cada e ainda assim, provavelmente fruto da inexperiência, não se terá apercebido que o título tinha potencial para chegar aos 200 dólares, como acabou por acontecer. A primeira lição estava apreendida: a paciência é uma das principais virtudes no mercado de capitais. Essa experiência marcou o início do que viria a ser o futuro perfil de investimento de Warren Buffett: estratégia de investimento focada no longo prazo.

O método de “value investing”

Investidor astuto e profundamente conhecedor dos relatórios e contas das empresas que lhe despertam a atenção, Buffet também sabe, como ninguém, esperar para comprar a preços de “saldo”. Aliás foi a sua determinação em períodos de crise que lhe rendeu boa parte da sua fortuna. A paciência chega a ser levada ao extremo de esperar vários anos para comprar uma ação abaixo de seu valor intrínseco. Este princípio remete para o seu mentor Benjamin Graham. Desde que tomou contacto com o conceito de “value investing”, passou a segui-lo à risca. Ou seja, compra ações daquilo que considera ser boas empresas, mas apenas quando o seu preço está baixo. Através desta estratégia conseguiu uma rentabilidade média anual de 22%, durante os últimos 30 anos.

O seu principal cartão-de-visita é mesmo investir em grandes negócios, pagando menos do que aquilo que ele acredita que possam valer e mantendo-os por longo período de

tempo. "É preferível comprar uma empresa fantástica a um preço razoável do que uma empresa razoável a um preço fantástico", terá referido, por mais do que uma vez, e assume-se como outro princípio que procura seguir à risca no âmbito dos seus investimentos.

Os indicadores e a importância dos fundamentais

Foi por ser fiel aos seus princípios de investimento que não participou na euforia da bolha tecnológica. Apontado, por muitos, como estando “fora de moda”, o colapso das “dotcom” em 2000 acabou por dar-lhe razão e reforçou, ainda mais, a sua imagem de “guru” da bolsa.

Foi um dos primeiros a alertar para os perigos de uma crise financeira. Em 2002 já apelidava os derivados de “arma de destruição massiva”. A sua imagem de marca consiste em contrariar as tendências de Wall Street: compra empresas consideradas menos “sexy´s”, já que as seleciona em função dos seus fundamentais e não em função da evolução das suas cotações.

No seu processo de avaliação de empresas, privilegia indicadores como o rácio entre a cotação e os resultados da empresa (P/E ratio), o quociente entre o seu valor de mercado e o valor contabilístico, o nível de dividendos pagos aos acionistas, a rentabilidade do capital e a cotação face ao ativo corrente líquido. As necessidades de investimento são outro ponto cuja análise não descura, já que não aprecia alavancagem, nem tão pouco negócios que consumam muito dinheiro (capital intensivos). O "free cash-flow" é um dos indicadores que utiliza para separar o trigo do joio.