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Gaspar não tinha "indicação relevante" sobre problemas no GES

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FOTO NUNO FOX

Ex-ministro das Finanças diz que dos contactos que teve "decorreu qualquer preocupação particular com a situação" do grupo Espírito Santo, nas respostas por escrito que enviou às questões colocadas no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso BES/GES.

Pedro Lima e Filipe Santos Costa

O ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, refere nas respostas enviadas à comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso BES/GES que Ricardo Salgado o informou de que tinha aderido ao Regime Excepcional de Regularização Tributária (RERT), conhecido como "perdão fiscal". Mas esclareceu que "não tinha qualquer indicação relevante sobre problemas de gestão no grupo Espírito Santo (GES)".

"Tinha naturalmente informação agregada sobre o rácio de alavancagem do BES", afirmou, quando questionado sobre o que sabia sobre a dívida e eventuais problemas de gestão do GES.

Questionado sobre se teve encontros ou reuniões com Ricardo Salgado ou com outro membro do grupo onde tivessem sido abordados eventuais problemas, Gaspar respondeu que teve, "naturalmente, reuniões com o Dr. Ricardo Salgado com outros membros do BES/GES", devido à crise financeira que atingiu Portugal, mas que "destes contactos, não decorreu qualquer preocupação particular com a situação do banco ou do grupo".

O ex-ministro refere que ouviu falar de "dificuldades financeiras idiossincráticas no GES no final de 2013. Em termos concretos, soube, mais tarde, das implicações da exposição do BES ao GES pela imprensa especializada internacional".

"Não houve qualquer indicação que apontasse para a necessidade de uma intervenção no BES", afirmou Vítor Gaspar. "Pelo contrário, o BES teve capacidade para realizar um aumento de capital privado" o que, na ótica do ex-ministro, levou a que houvesse uma "interpretação dominante de que a operação refletia a saúde da instituição. Na primavera de 2012 não havia informação que apontasse para uma interpretação diferente"."Foi com agrado e alívio que constatei a capacidade de um banco português aceder a financiamento privado".

Vítor Gaspar referiu que "a exposição do BES ao GES era clara na estrutura do próprio grupo. O BES (e o GES) foram afetados pela interrupção do financiamento privado internacional à economia portuguesa que ocorreu na primavera de 2010".

"A estabilidade financeira foi uma das três componentes fundamentais do programa de ajustamento. O financiamento da economia, a situação do sistema bancário e a posição das maiores organizações bancárias portuguesas foi coberta em todos os exames regulares. Sendo assim, o BES foi, a par de outros bancos, frequentemente mencionado", referiu.

"O Ministério das Finanças obteve informação individual detalhada sobre as organizações bancárias que recorreram à recapitalização pública. Por isso o BES foi objeto de menor atenção que outros bancos de relevância sistémica comparável", refere o ex-ministro das Finanças.

Vítor Gaspar esclarece também, nas respostas enviadas ao Parlamento, que não expressou dúvidas sobre a dívida do BES na reunião de 7 de junho de 2013 que decorreu no Ministério das Finanças com a Associação Portuguesa de Bancos. Explicou que perante a informação de que Ricardo Salgado teria expressado dúvidas sobre a dívida portuguesa, apenas disse que "se, por hipótese, expressasse dúvidas sobre a dívida do BES, a reação dos mercados e do público poderia não ser tão benigna". Terá sido uma forma de "ilustrar um mecanismo com um exemplo apenas hipotético", afirmou.