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Garantia do FMI: a banca internacional está mais segura desde a crise

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FOTO REUTERS

Desde a crise financeira global, a banca internacional reduziu o crédito transfronteiriço. Sobretudo, os grandes bancos europeus. E passou a apostar mais na concessão de crédito feita pelas filiais locais, em cada país. Mudança tem um efeito positivo na estabilidade financeira.

É uma mudança no modelo de negócio dos grandes bancos internacionais, salienta o Fundo Monetário Internacional (FMI). No capítulo 2 do Global Financial Stability Report, hoje divulgado, o FMI constata que o crédito bancário transfronteiriço, isto é, ultrapassando as fronteiras nacionais, diminuiu desde a crise financeira global. "Sobretudo por causa da contenção dos bancos europeus", lê-se no relatório.

Os bancos internacionais "mudaram os seus modelos de negócio internacional em direção a operações mais locais", salienta o FMI. Ou seja, a aposta passou a incidir mais na concessão de crédito feita através de filiais locais, em cada país, destes grandes bancos.

Uma conclusão do FMI apoiada em números: o peso do crédito transfronteiriço nos ativos totais bancários dos países recetores desse crédito ultrapassou os 14% em 2007/2008. Desde então, caiu para o patamar os 9%, onde se mantém relativamente estável. E não regressou aos níveis précrise financeira global.

Ao mesmo tempo, o crédito concedido localmente, emc ada país, pelas filiais dos grandes bancos internacionais, "caiu ligeiramente em 2007 e 2008, mas estabilizou desde então". O peso deste crédito nos ativos totais bancários dos países recetores atingiu um pico perto dos 10% em 2007, caindo logo de seguida, e estabilizando desde 2009 no patamar entre 7% e 8%.

Como resultado, o peso do crédito concedido através de filiais locais no total do crédito estrangeiro cresce de menos de 43% para 49%.

"A mudança relativa dos bancos estrangeiros afastando-se do crédito transfronteiriço em direção a mais crédito concedido através de filiais locais tem um efeito positivo na estabilidade financeira dos países recetores do crédito", conclui o FMI.

Tudo porque o crédito transfronteiriço tende a agravar choques adversos globais e domésticos sobre o crédito. "Em contraste, as subsidiárias detidas por bancos estrangeiros, particularmente aquelas detidas por bancos melhor capitalizados, tendem a comportar-se de forma menos pró-ciclíca do que os bancos 'domésticos' durante as crises nacionais", frisa o FMI.

O Fundo constata ainda que esta transformação na banca internacional foi espoletado pelos efeitos da crise financeira global, "as alterações regulatórias e a fraqueza nos balanços dos bancos contribuiram significativamente para a contenção subsequente". Afinal, em resposta à crise, muitos países adotaram medidas para resolução de crises e impuseram novos requisitos aos bancos, nomeadamente em termos de capital.

Tudo somado, "os bancos globais refocaram as suas atividades em mercados-chave".