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Frasquilho: o diretor do BES que "não falava de negócios" com Salgado e só soube dos problemas no GES "através dos jornais"

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FOTO ALBERTO FRIAS

Ex-diretor do departamento de estudos do Banco Espírito Santo e atual presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) foi ouvido esta quinta-feira de tarde na comissão parlamentar de inquérito ao colapso do BES.

Expresso com Lusa

Miguel Frasquilho, atual presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), trabalhou durante 18 anos no Banco Espírito Santo - onde dirigiu o departamento de estudos - mas "não falava de negócios" com Ricardo Salgado, garantiu esta quinta-feira de tarde na comissão Parlamentar de Inquérito ao colapso do BES e do Grupo Espírito Santo (GES).

Entre 1996 e abril de 2014, quando saiu do banco, começou por reportar a Manuel Pinho (ex-ministro da Economia de Sócrates), que na altura pertencia à comissão executiva, depois a Ricardo Salgado, presidente do BES, e a Amílcar Morais Pires, ex-líder financeiro do banco.

Mas "de negócios não falava com eles". "Falava das minhas atribuições, da análise económica, das grandes tendências globais e também da economia portuguesa", disse aos deputados durante a sua audição, que durou cerca de hora e meia, a mais curta da cerca de meia centena que já se realizou até agora.

Questionado sobre o período em que foi deputado ao mesmo tempo que era diretor do departamento de estudos do BES, tendo ainda passado pelo Governo (como secretário de Estado), Miguel Frasquilho afirmou que "separei sempre muito bem a minha responsabilidade no banco e a minha responsabilidade parlamentar".

Miguel Frasquilho assegurou no Parlamento que só teve conhecimento dos problemas no GES "pela primeira vez no final de 2013, através das notícias que iam saindo nos jornais". E realçou que "nunca tive nenhuma conversa sobre esse tema até essa altura e tudo o que fui sabendo foi o que foi sendo público".

O ex-diretor do BES disse ainda que sabia que "havia várias entidades ligadas ao grupo" Espírito Santo, "mas não tinha noção do organigrama do grupo".

E avançou que não manteve "nenhuma conversa com o Governo acerca da situação com o BES", explicando que o tema fazia parte do seu 'ring fencing'. Usou, assim, expressão usada muitas vezes na CPI para descrever a separação prescrita pelo Banco de Portugal entre o BES e o GES, para proteger o banco dos problemas no grupo.

"As notícias que iam saindo nunca envolveram a minha entidade patronal, que era o BES. Não tinha nenhuma necessidade de saber, nem queria saber, o que se passava no GES", afirmou Miguel Frasquilho.

Outra das questões dos deputados ao atual presidente da AICEP foi se alguma vez teve ações do BES. Frasquilho respondeu que teve ações do banco "em diversos momentos" dos 18 anos em que trabalhou no banco.

"Comprei, foram-me atribuídas e vendi, às vezes com ganhos e outras com perdas", disse durante a audição, revelando que "não fui ao aumento de capital" de maio/junho de 2014. "Mas nunca tive acesso a qualquer informação privilegiada."

Já à margem da audição, perante as perguntas dos jornalistas, Frasquilho precisou que a última vez em que adquiriu títulos do BES foi em janeiro de 2014, cerca de cinco mil ações, que vendeu em junho desse ano, quando já não trabalhava no banco, liderando a AICEP, porque "a instabilidade era muita". Na operação teve uma perda de 50%, correspondendo a sensivelmente 2500 euros.