Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Fosun favorita à compra do Novo Banco. Preço pode atingir €5,2 mil milhões mas sem riscos de litigância

  • 333

Luís Barra

O dono do Novo Banco será chinês. Mas se o comprador ficar com o risco dos processos judiciais, não haverá interessados.

Entre os sete candidatos com propostas não vinculativas, os grupos chineses estarão em melhor posição para comprar o Novo Banco (NB).

João Rendeiro, ex-presidente do extinto BPP, analisou o perfil dos candidatos, fez as contas e não tem dúvidas: será um dos três concorrentes chineses (Fosun,Angang Insurance ou Bank of China) a comprar o Novo Banco (NB), pagando pelo menos 5,2 mil milhões de euros.

Sem herdar "o risco de litigância que ficará no BES, ou seja no Estado português", Rendeiro faz as contas e conclui que a Fosun, beneficiando das sinergias com a seguradora Fidelidade, é que estará em melhor posição para bater a concorrência. Marques Mendes, num seu comentário televisivo, fora mais prudente e admitiria que, com tudo a correr pelo melhor, as melhores propostas nunca ultrapassariam os 4,5 mil milhões.

A verdade é que, seguindo os critérios que o Caixabank aplicou ao caso da oferta sobre o BPI (30% de desconto sobre o valor contabilístico), o valor de referência ficaria abaixo dos 4000 milhões de euros. Mas os casos não são comparáveis (o BPI tem maiores contingências, operação doméstica deficitária e um retorno dos capitais próprios muito baixo).

"Monumental litigância"

Esta semana, no Parlamento, a ministra Maria Luís introduziu um novo fator de ruído ao admitir que os riscos da litigância ficassem com o futuro dono. O Banco de Portugal sempre afastou esse cenário e ninguém acredita que algum interessado se atravesse com tal ameaça no caderno de encargos.

Quinta-feira à noite, na SIC Notícias ("Quadratura do Círculo"), António Lobo Xavier reconheceu que a "monumental litigância" afastará os candididatos mais sensatos e credíveis.  Sem a proteção contra futuros processos judiciais, "o preço do NB cairá a pique" e na corrida ficarão candidatos desesperados "que aceitem um risco de litigância que perdurará por 10 ou 15 anos". Lobo Xavier, administrador do BPI, admitiu que, no final, os custos da litigância ficarão a cargo do "Sistem bancário são".

O BESI foi vendido à chinesa Haitong International livre de litigâncias. João Rendeiro diz que" com o risco do lado do comprador o banco será invendável".

Balanço mais limpo

Rendeiro verifica que aplicando ao NB a relação que se regista nos bancos ibéricos entre a capitalização bolsista e o valor contabilístico, chegaríamos a um valor sempre acima dos 5000 milhões. "Abaixo deste valor é um péssimo negócio", diz ao Expresso.

Mas o NB tem uma vantagem sobre os concorrentes "de ter o balanço mais limpo de todos, refletindo todas as imparidades e de ter a menor exposição no crédito à habitação da banca portuguesa". Por outro lado, o Novo Banco "é a melhor máquina comercial da banca portuguesa (basta ver como em poucos meses recuperou depósitos) e a plataforma ideal para a entrada na banca europeia". Num leilão competitivo, "o preço do NB revelará um prémio e não desconto em relação à sua situação líquida".

Sinergias de 500 milhões

Rendeiro concede favoritismo ao pelotão chinês, comandado pela Fosun, reconhece que o Santander é um candidato sério e desvaloriza as propostas do BPI, Banco Popular e fundo Apollo. "Apollo terá um preço curto e BPI não vai chegar à fase das propostas vinculativas", antecipa.

Rendeiro estima que a integração de redes e as sinergias decorrentes de uma fusão ibérica induzem poupanças de 500 milhões. É um fator que joga a favor do Santander, um bancocom forte experiência em aquisições e uma balanço sólido.

O banco surge "como um concorrente temível" e que mais ganharia com as sinergias comerciais e de racionalização. Mas, por prudência, a sua proposta nunca será a mais alta, num leilão competitivo. O  "seu limite superior será sempre os 4,9 mil milhões". E porque se inclina para a Fosun? É, com o Bank of China "o mais rico", e pode otimizar as redes comerciais NB e Fidelidade.

A seguradora tem no balanço 12 mil milhões de reservas técnicas com espaço para otimizar. Além disso, o custo e capital de grupos chineses "é distinto de um banco cotado europeu".

Na fase das propostas vinculativas, a Fosun pode surgir coligada a um dos outros concorrentes chineses.

Esta semana, o governador Carlos Costa  informou que o Banco de Portugal recebeu sete propostas " de várias geografias", sem identificar os candidatos. Na audição no Parlamento, Carlos Costa acrescentaria que se o comprador for uma entidade com "presença diminuta" no mercado português" conseguiremos minimizar o impacto social e, além disso, teremos conseguido manter os níveis de concorrência". A referência assenta bem à Fosun (que detém a Fidelidade) e deixa de fora os bancos ibéricos concorrentes.

Após a entrega das propostas fundamentadas e não vinculativas, o Banco de Portugal escolherá um lote (quatro ou cinco) para seguir para a fase seguinte, com rondas de negociação direta e preços vinculativos. Carlos Costa quer fechar o dossiê antes das férias de agosto.