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FMI mais pessimista sobre Portugal

O Fundo reduziu a previsão de crescimento para este ano de 0,4% para 0,3%. Em 2011, as estimativas apontam para um crescimento de 0,7%, ambas as projecções abaixo dos valores esperados pelo Governo.

João Silvestre (www.expresso.pt)

O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa a previsão de crescimento português de 0,4% para 0,3%, de acordo com o World Economic Outlook hoje divulgado. Para o próximo ano, a instituição prevê um ritmo de 0,7%. Duas projecções abaixo do esperado pelo Governo, que no programa de estabilidade e crescimento aponta para, respectivamente, 0,7% e 0,9%, e que mantém Portugal em divergência com os países da moeda única. 

A taxa de desemprego deverá chegar este ano aos 11% e só em 2011 começará a baixar, para 10,3%. Ao mesmo tempo, a inflação será menor do que o previsto no Outono do ano passado: 0,8% e 1,1%.  

A zona euro deverá crescer 1% e 1,5% em 2010 e 2011, abaixo dos EUA que sairão mais rapidamente da crise com taxas de, respectivamente, 3,1% e 2,6%.  

O documento justifica as diferentes velocidades de recuperação com factores como a profundidade da recessão em 2009, a existência de desequilíbrios internos antes da crise e os diferentes espaços de manobra dos países para usar a política orçamental.

Recorde-se que, no relatório de estabilidade financeira divulgado ontem, o FMI avisava que a situação do sector financeiro está melhor do que há uns meses - e até reduziu as estimativas de perdas relacionadas com activos tóxicos na banca - e que agora o risco vem da dívida soberana que disparou por causa da crise.

Um dos casos preocupantes é a Grécia, cujas taxas de juro da dívida estão acima dos 7% (Portugal está em redor dos 4%). A instituição fez questão de distinguir o caso grego de outros países da zona euro como Portugal ou Espanha. Ainda assim, estimativas ontem avançadas apontavam para que Portugal seja o segundo país da zona euro com maior probabilidade de causar problemas aos seus pares da moeda única, logo depois da Grécia, e com um valor muito maior que no Outono.