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FMI empurra Portugal para situação grega

Portugal acaba de entrar no top-10 de maior risco mundial. Atinge novo recorde histórico com mais de 17% de probabilidade de bancarrota, desalojando a República Dominicana. São sete páginas mortíferas do relatório do FMI.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Portugal acaba de entrar no clube dos 10 de maior risco mundial, um grupo onde só estava, até hoje ao meio-dia, a Grécia, entre os membros da zona euro em situação de maior risco em termos de dívida soberana. Portugal acaba de atingir um risco de bancarrota de 17,64%, desalojando a República Dominicana do 10º lugar, segundo dados da CMA Datavision.

Em termos de nível dos credit default swaps (cds), atingiu, ao meio-dia de hoje, 222,47 pontos base, ou seja quase 190 pontos mais do que a referência alemã. O que significa que as condições de crédito para Portugal se agravaram esta manhã em 1,9% em relação à referência para o crédito à Alemanha.

A gota de água derivou de sete páginas mortíferas no relatório do Fundo Monetário Internacional (Global Stability Financial Report) de ontem sobre a "estabilidade financeira global", que tiverem desde o final da noite de ontem um impacto profundo na percepção da situação portuguesa pelos investidores. As sete páginas estão disponíveis no capítulo 1, secção B, intitulada sugestivamente "Poderão os riscos soberanos estender a crise global de crédito?"

A visualização da Grécia e de Portugal como as duas situações mais críticas provocou o disparo, de novo, do risco português e a continuação da situação de alto risco da Grécia, que hoje já está com uma probabilidade de default muito próxima dos 34%, consolidando a 4ª posição no clube de maior risco mundial.

Uma análise mais detalhada das "vulnerabilidades" da situação portuguesa encontradas pelo estudo do FMI pode ser lida aqui.

Na mais recente fase da Grande Recessão que estamos a viver emergiu um novo risco, o de uma série de defaults, de incumprimento das obrigações da dívida soberana em alguns países desenvolvidos. A história das crises aponta nesse sentido, como o têm referido os académicos Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, especialistas no tema, a que o Expresso já se referiu. Mas agora foi a vez do Fundo Monetário Internacional colocar a interrogação como variável.