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FMI admite controlos à circulação de capitais (vídeo)

Diretor do FMI, Strauss-Kahn, já tinha lembrado na quinta-feira que «durante décadas esta instituição disse que o controlo dos capitais era o mal»

Michael Spilotro/Reuters

O Fundo decidiu optar por uma abordagem pragmática e admitir restrições à circulação de capitais em certos casos. O objetivo é limitar a volatilidade e, principalmente, travar o sobreaquecimento em alguns países. (Vídeo SIC no fim do texto)

Joao Silvestre (www.expresso.pt)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) admite restrições à circulação de capitais em casos concretos de paises que já tenham esgotado as restantes alternativas. Foi essa a posição adotada na reunião de hoje do Comité Monetário e Financeiro Internacional, o orgão de aconselhamento e definição de politicas do FMI.

Em conferência de imprensa, o recém-eleito presidente do comité, Tharan Shanmugaratnan, e o diretor do FMI, Strauss-Khan, defenderam uma posição pragmática face as necessidades específicas de cada país. Ou seja, ao contrário do que era a sua posição tradicional, o Fundo admite agora a utilização de restrições à circulação de capitais quando os outros mecanismos, como as taxas de câmbio ou as reservas cambiais, estão esgotados.

E a verdade é que em muitos países as politicas tradicionais não estão a dar o resultado pretendido e o recurso a formas diretas ou indiretas de limitar os fluxos de capitais tem sido solução para tentar evitar casos de excessiva volatidade e sobreaquecimento.       

Antes era o "mal", agora é uma alternativa

Durante anos, o Fundo Monetário Internacional opôs-se ferozmente a este tipo de práticas, por serem contrárias ao livre funcionamento dos mercados e poderem criar distorções. Strauss-Kahn já tinha lembrado na quinta-feira que "durante décadas esta instituição disse que o controlo dos capitais era o mal". Só que a pressao da realidade obrigou a instituição a rever a sua posição, até porque o pior da crise já esta ultrapassado a nivel mundial mas existem ainda diversos riscos pela frente.  

O comité decidiu também que o FMI passará a apresentar um relatório consolidado de monitorizacao da situação internacional a partir dos vários que produz regularmente. O objetivo é ter uma visao integrada, algo que não houve antes da crise financeira.

Strauss-Kahn disse ainda que o futuro passa por repensar a teoria económica, repensar as politicas e repensar a vigilância multilateral à luz das lições retiradas da crise financeira, a qual o FMI não conseguiu antecipar.