Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Faria de Oliveira. "Não pode haver a generalização de que o empregado bancário é um trafulha"

  • 333

Ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao BES, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos afirma que havia uma concentração de poder por parte de Ricardo Salgado, mas sustenta que o BES era um banco importante no financiamento à economia. Quanto aos clientes de retalho do banco com papel comercial do grupo, aconselha-os a reclamar junto da CMVM, recusando a ideia generalizada de que o empregado bancário "é um trafulha".

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Faria de Oliveira, quando questionado sobre se a liderança do BES estava demasiado concentrada em Ricardo Salgado, e se houve falhas no modelo de governação, afirma que o ex-presidente do BES "era uma pessoa de forte personalidade e muito considerado em fóruns internacionais".

Faria de Oliveira acrescentou ainda que, "mais do que uma falha no modelo societário, no caso do BES estará em causa o exercício dos cargos e a existência de mecanismos de controlo interno que as comissões de controlo poderiam ter exercido". Refere que o BES "tinha um modelo de negócio eficiente, em particular no que diz respeito ao financiamento da economia".

Quanto à questão da idoneidade de Ricardo Salgado e sobre se o Banco de Portugal (BdP) foi rigoroso, diz que "só o BdP o pode dizer". "Tenho dificuldade em dizer se haveria provas suficientes  para saber da oportunidade de um afastamento."

A propósito dos clientes de retalho do BES com papel comercial, Faria de Oliveira responde aos deputados que esta "não é uma matéria da APB". "É uma matéria jurídica. Sempre que há vendas incorretas e quando estão a vender produtos que não do próprio banco, como era o caso, os clientes podem e devem reclamar junto da CMVM." E acrescenta: "Costuma dizer-se que a culpa é do empregado  bancário, mas não posso permitir isso - não pode haver a generalização de que o empregado bancário é um trafulha".