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Faria de Oliveira diz que recapitalização do BES foi afastada por Maria Luís

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FOTO José Ventura

A ministra das Finanças justificou a aplicação da medida de resolução do BES numa reunião às 22h00 do dia 2 de agosto, véspera do anúncio do Banco de Portugal, disse o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) na comissão parlamentar de inquérito.   

Isabel Vicente

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) diz que quem justificou a aplicação da medida de resolução no BES aos bancos foi a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, no dia 2 de agosto por volta das 22h, numa reunião com a APB e os maiores bancos. 

Faria de Oliveira que foi ouvido durante quatro horas na comissão parlamentar de inquérito afirma que nesse dia estiveram reunidos também com o Banco de Portugal que lhes deu a entender que a decisão não dependia apenas do supervisor. Foram informados pelo governador Carlos Costa de que "havia necessidade de, até às 24 horas de 3 de Agosto, realizar uma intervenção para evitar um potencial risco sistémico e que, das soluções possíveis (liquidação, nacionalização, aumento de capital por privados, aumento de capital por fundos públicos, aumento de capital por capitalização obrigatória ou forçada e resolução), o Banco de Portugal estava a preparar uma medida de resolução a aplicar ao BES, a qual era da sua competência". A audição decorreu entre as 15h as 19h. 

Na reunião que se seguiu com Maria Luis de Albuquerque foram informados de que a recapitalização não seria possível devido ao novo enquadramento, mas também porque o BES não o havia pedido. 

Faria de Oliveira disse ainda que os bancos teriam preferido a recapitalização, até porque o Fundo de Resolução não tinha fundos suficientes.

Esclareceu também que se a venda do Novo Banco não atingir os 4,9 mil milhões injetados no fundo para financiar o Novo Banco, estes poderão fazer prolongar o prazo de pagamento de forma a que os seus rácios de capital não sejam afetados.