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Falta de apoio do Caixabank trava compra do Novo Banco pelo BPI

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FOTO NUNO BOTELHO

A exclusão do BPI da corrida ao Novo Banco, noticiada esta terça-feira pelo "Jornal de Negócios", ficou não só a dever-se ao baixo preço apresentado pelo BPI, mas também ao facto de este não contar com o apoio do seu maior acionista, o Caixabank, apurou o Expresso.

Pedro Lima e Isabel Vicente

O Caixabank não está disposto a apoiar a operação caso a oferta pública de aquisição (OPA) que lançou a meio de fevereiro não seja viabilizada. E a garantia desse apoio era essencial para que o banco liderado por Fernando Ulrich conseguisse comprar o Novo Banco, já que, para o fazer, o BPI teria de aumentar o seu capital - o que, sem o apoio do Caixabank, não seria viável. 

O BPI ainda tem quatro dias úteis a partir da data da exclusão para recorrer da decisão do Banco de Portugal. 

Para a OPA ter sucesso, o Caixabank, que tem 44,1% do capital do BPI, pretende ultrapassar os 50% do capital, mas exige que a limitação dos direitos de voto, que está neste momento nos 20%, seja levantada. O segundo maior acionista, a Santoro, da angolana Isabel dos Santos, já fez saber que não concorda com os termos da OPA e sugeriu inclusivamente uma alternativa, que passa por uma fusão entre o BPI e o BCP. Já a administração do BPI considerou um valor baixo os 1,329 euros oferecidos pelo Caixabank. Contrapôs que o valor justo deveria ser antes 2,26 euros. 

O Caixabank continua a aguardar luz verde por parte do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões para que a OPA avance. É também necessário que, após os pareceres positivos destas entidades, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) registe a OPA. 

Entretanto, o BPI convocou segunda-feira a sua assembleia geral para 29 de abril para aprovar as contas de 2014 e a política de remuneração, entre outros pontos. Mas não incluiu qualquer ponto relativo ao fim da limitação dos direitos de voto. O Caixabank pode, enquanto acionista com mais de 2% do capital, incluir outros pontos na ordem de trabalhos cinco dias após a publicação da convocatória. No entanto, o banco espanhol deverá esperar pelo registo da OPA pela CMVM para fazer essa proposta. 

Na corrida ao Novo Banco mantêm-se cinco entidades, entre as quais o Santander, o fundo norte-americano Apollo e os chineses Fosun e Angbang Insurance.