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Exposição a Angola afeta rácios dos bancos, em particular o BPI

As novas regras de exposição dos bancos europeus a países terceiros exigidas pelo Banco Central Europeu (BCE), onde se inclui Angola, vai pesar mais nos rácios dos bancos portugueses com posições em bancos angolanos, a partir de 1 de janeiro de 2015.

A exposição ao Estado angolano e ao Banco Nacional de Angola (BNA) vai pesar mais nos rácios dos bancos que estão em Angola e consolidam as suas operações em Portugal. Em causa está a exposição de dívida concedida ao Estado angolano e ao BNA. Isto porque a ponderação destes ativos em kwansas passa de uma ponderação de 0% a 20% para 100% para efeitos de rácio de capital.

Os bancos terão por isso de se ajustar à nova exigência do BCE tendo para isso um prazo para que os bancos possam tomar as medidas necessárias aos limites dos grandes riscos.

 

BPI mais exposto

O Banco Português de Investimento (BPI) é o banco que mais risco desta natureza tem em Angola. Isso decorre da sua operação naquele mercado onde detém 50,1% do Banco de Fomento Angola (BFA). A exposição do BPI, como referiu em comunicado, excede os limites impostos pelo BCE em cerca de 3000 milhões de euros, pelo que teria impacto no rácio "common equity" 1 "fully implemented" de 0,9 pontos percentuais e de 1,8 pontos percentuais no rácio "phasing in", tendo como base as contas de setembro de 2014. No entanto as contas de 2014 não terão ainda qualquer impacto a este nível porque as regras só serão aplicadas em 2015.  

O banco liderado por Fernando Ulrich terá de se ajustar no prazo que será concedido pelo Banco Central Europeu (BCE), porque não foram aceites as alternativas propostas pelo banco para alterar o método de consolidação. O que passaria por deduzir o valor da participação de 50,1% no BFA integralmente ao rácio de common equity tier 1. 

No caso do BCP, os ativos ponderados pelo risco Angola, por via das novas regras do BCE, ascende a 560 milhões de euros a partir de 1 de janeiro de 2005. Tal alteração determinará uma redução do rácio de capital common equity tier 1 em 8 pontos base em fully-implemented e de 15 pontos base em "base phase-in" , tendo em conta a exposição da sua operação em Angola, Banco Millennium Angola, a 30 de setembro de 2014.

Segundo comunicado do BCP, este facto "não determina qualquer excesso da exposição consolidada do BCP às administrações centrais e banco central de Angola face ao limite dos grandes riscos". 

Já quanto à CGD e ao Santender Totta,  que também têm uma operação em Angola, o Banco Caixa Geral Totta, aguarda-se ainda um comunicado relativo a estas alterações e ao limite da exposição destes riscos.