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“Na energia nunca houve tanta concorrência como hoje”

Marcos Borga

À frente da Endesa Portugal há 12 anos, Nuno Ribeiro da Silva, é um dos gestores que melhor conhecem o sector energético. Lamenta as inflexões de rumo que saem do Ministério da Economia cada vez que muda o governo e acha que as empresas de energia estão de mãos atadas para poderem oferecer às famílias e empresas preços mais baixos. Por isso, frisa, dar competitividade à indústria é “um problema de quadratura do círculo”. Leia a entrevista na Exame de junho, já nas bancas

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

É frequente vê-lo em conferências sobre energia a disparar críticas à fiscalidade que incide sobre o sector. Entre deslocações a Madrid para as reuniões da espanhola Endesa, que integra o grupo italiano Enel, e a sua agenda como presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva mantém-se uma voz ativa no debate da política energética do nosso país. Até porque é dela que depende o futuro da empresa que representa.

Enquanto gestor, já teve de lidar com três primeiros--ministros e meia dúzia de governantes com a tutela da energia. A rotatividade política facilita ou dificulta a vida das empresas?
Dificulta. Em particular numa área como a da energia, em que o curto prazo são cinco anos. Num domínio em que todos os investimentos têm uma implementação lenta por natureza, uma não continuidade das políticas e das regras obviamente que prejudica.

No caso português, houve alguma rotação, mas houve políticas na área da energia que até tiveram continuidade. O que é que notou como principais fatores de instabilidade?
Eixos da política energética enquadrados pelas políticas europeias, como é o caso da descarbonização, da eficiência energética ou do contributo das renováveis na produção de eletricidade, nunca foram eixos contestados pelos vários governos que se sucederam. Mas ao longo destes anos os vários responsáveis políticos pelo sector têm interpretações e atuações diferentes, com reflexo expressivo nas regras do jogo que são estabelecidas mesmo para esses eixos de consenso. Poderá haver uma certa aparência de continuidade, que na realidade tem estado sujeita a inflexões. Isso cria uma perturbação.

Um ex-ministro dizia que era prioritário pôr a energia ao serviço da economia. Muitas empresas continuam a queixar-se, ano após ano, que o custo da energia em Portugal é um entrave à sua competitividade. Concorda?
Dizer que a energia deve estar ao serviço da indústria é uma visão anacrónica. Há muitas décadas, na fase pós-Segunda Guerra Mundial, na criação de infraestruturas energéticas para permitir o desenvolvimento económico, o próprio Estado assumiu um papel de promotor. Aí começou essa lógica de que a energia é um input de custo da atividade empresarial que deve ser subsidiado. Esse paradigma mudou, sobretudo a partir dos anos 80 e 90.

Leia mais na edição de junho de 2017 na Exame