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Para correr o mundo o tamanho interessa

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Carlos Oliveira, o presidente executivo da Ventilaqua

Nuno Botelho

Especializada em estações compactas de tratamento de água, a Ventilaqua montou em Coimbra um plano de expansão a cinco anos. O Gabão é o próximo desafio

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Carlos Oliveira e Francisco Oliveira partilham o apelido e o negócio. Mas não são irmãos. Antigos colegas de faculdade, criaram a Ventilaqua em 1997, em parceria com aqueles que eram então os seus patrões. Os chefes tornaram-se sócios. O objetivo: fabricar e comercializar pequenas estações de tratamento de água para a indústria. “No primeiro ano fizemos logo 20 ou 30 obras, porque tínhamos o apoio de quatro empresas”, conta Carlos Oliveira, o presidente executivo da Ventilaqua. “O arranque foi muito rápido”, acrescenta.

Hoje, a organização trabalha para concretizar um plano desenhado no final de 2012: quintuplicar o volume de negócios entre 2013 e 2018, passando de uma faturação em torno de um milhão de euros por ano para cinco milhões. A chave está na internacionalização. Mas também na especificidade do que a Ventilaqua vende: estações de tratamento compactas, que podem ser instaladas em qualquer pequena ou média indústria, para tratar os esgotos e fazer com que a empresa cumpra a legislação ambiental. E aqui o tamanho, de facto, interessa: com as restrições de tesouraria que muitas empresas sofrem, projetar uma grande estação de tratamento de águas residuais (ETAR) poderá implicar custos particularmente elevados. Segundo Carlos Oliveira, as soluções que fornece aos seus clientes têm custos unitários entre 17 mil e 50 mil euros.

O plano de expansão para 2013-2018 foi um argumento decisivo na captação de novos investidores durante o ano de 2012. Foi nesse momento que a empresa deixou de ser uma sociedade por quotas e passou a sociedade anónima, passando o seu capital de 120 mil para 455 mil euros graças à entrada de 12 investidores. “Tínhamos dois objetivos: alavancar o crescimento acelerado e criar uma rede alargada de influência”, explica Carlos Oliveira. Entre os novos acionistas estiveram um francês e um alemão.

Em 2014, a Ventilaqua somou uma faturação de 1,5 milhões de euros. Para este ano a empresa está a projetar um salto significativo no volume de negócios, apontando para 2,5 milhões de euros, porque “a presença da empresa começa a ser mais forte nos vários mercados onde está”, além de que os seus serviços também são procurados em obras de maior dimensão.

Disparar em várias direções

A carteira de negócios da Ventilaqua no exterior começa a ser significativa. No mesmo dia em que recebeu a EXAME nos seus escritórios, Carlos Oliveira já tinha trabalhado com a Guatemala e a Argentina. “E estamos a negociar no Gabão uma obra na área da energia”, avançou. Trata-se de um trabalho para uma multinacional, em que a empresa portuguesa deverá ser responsável pela instalação de um projeto integrado de energia solar e eólica, além da estação de tratamento de água.

Atualmente 40% da faturação da Ventilaqua ainda está em Portugal, concentrando-se quase toda no sector privado. Com a perspetiva de conquistar contratos de maior dimensão em território nacional, a empresa de Coimbra admite que seja possível que no curto prazo Portugal ainda tenha a maior fatia das vendas da empresa. “Corremos o risco de o mercado nacional ser dominador”, admite Carlos Oliveira.

Formado em Engenharia Química, o presidente executivo lidera uma equipa relativamente pequena. São cerca de 15 colaboradores. Mas isso não é limitador. “A grande diferenciação que temos é o conhecimento, a inovação”, frisa o gestor.

O modelo de desenvolvimento da empresa está bem definido: concebe os produtos e subcontrata o seu fabrico às empresas parceiras, que estiveram na origem da sua criação, em 1997. Até agora o desenho do negócio tem funcionado. A companhia já instalou cerca de 700 ETAR pelo mundo fora, assegurando diretamente a manutenção das que estão localizadas em Portugal e Espanha.

Hoje a empresa está na fase final de negociação de uma dezena de grandes projetos, avaliados, no seu conjunto, em 7,5 milhões de euros. Carlos Oliveira sabe que não será fácil conquistá-los, mas ganhar qualquer destes contratos permitirá ampliar a faturação rumo ao objetivo traçado para 2018.

A corrida internacional desta pequena empresa não começou hoje, nem sequer ontem. Mas 2015 pode bem ser o ano do sprint que dará à Ventilaqua o resultado que os seus acionistas pretendiam: um crescimento das vendas assente numa procura crescente de equipamentos compactos.

Este artigo é parte integrante da edição de agosto de 2015 da Revista EXAME