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Portugal está na moda

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Boas oportunidades não faltam e é cada vez maior o apetite de investidores de todo o mundo. Leia a opinião de João Vieira Pereira, diretor da EXAME e subdiretor do Expresso, publicada na edição de agosto.

Porque esta é uma daquelas alturas em que tudo parece mais fácil e leve. E como não quero aborrecer ninguém em período de férias, este espaço é dedicado a tudo aquilo que está a correr bem. Primeiro, é preciso despachar o que está mal: desemprego demasiado alto, crescimento medíocre, uma dívida pública que não vamos conseguir pagar e impostos que não há maneira de descerem. Pronto. Já está. Agora, o lado positivo. O consumo interno está de volta. E não apenas nos números. Basta olhar à nossa volta. Autoestradas com trânsito, restaurantes cheios, concertos esgotados. A venda de carros sempre a crescer. O crédito à habitação a disparar. E, mesmo perante o aumento imediato das importações, as nossas exportações continuam a crescer. O imobiliário está outra vez ao rubro. Os negócios no sector não residencial devem bater todos os recordes este ano. E há áreas no imobiliário residencial onde já não há oferta para tanta procura. O emprego está lentamente a recuperar. E mesmo perante isto tudo a inflação está controlada. Os juros continuam baixos, quer os da República, quer os dos bancos.

A liquidez acumulada nos mercados internacionais fruto dos programas de quantitative easing faz com que os investidores estejam desesperados à procura de boas oportunidades. E Portugal está barato. Portugal está namoda. Os hotéis não estão só cheios de turistas. Fundos de investimento das mais diversas regiões do mundo não param de visitar bancos, empresas e até o Governo, para sugerir negócios e à procura de oportunidades. Nem todo o investimento estrangeiro é bom ou igual. E muito deste investimento é do tipo "toca e foge." Procuram lucros rápidos assentes na esperança de que o país se valorize muito nos próximos anos. Por isso, muito do investimento é na área do imobiliário. Só que, felizmente, também há procura de projetos nas áreas industrial, agrícola e tecnológica. Numa altura em que a Grécia implode, fica provado que não vale a pena andar a gritar que não somos a Grécia. Os investidores já interiorizaram isso há muito tempo. Passado o verão, haverá eleições. E quem aposta emPortugal não está minimamente preocupado com qual será o resultado. No início de 2012 recebi na redação do Expresso três analistas de uma agência de rating internacional. Queriam informações sobre Portugal. Mais de metade das perguntas era sobre a capacidade de aplicarmos as medidas da troika e sobre o risco político. Disse-lhes que o programa da troika iria ser implementado sem problemas de maior e que o risco político era mínimo. Não me parece que tenham acreditado nas minhas certezas da altura. Pode ser que agora já acreditem.

Este artigo é parte integrante da edição de agosto da Revista EXAME